Policiais disparam 1500 vezes durante operação no Complexo do Salgueiro

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SENSITIVE MATERIAL. THIS IMAGE MAY OFFEND OR DISTURB  A police officer stands guard next to dead bodies found by residents in a forest after a police operation in Salgueiro slums complex in Sao Goncalo near Rio de Janeiro, Brazil, November 22, 2021. REUTERS/Ricardo Moraes
Policial faz guarda aos corpos das vítimas da operação no Salgueiro. Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
  • Participaram da ação 22 agentes

  • Registro afirma que três PMs foram autores de quase 600 tiros

  • Policial civil registrou irregularidades da operação

Durante a operação policial que deixou nove mortos no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, os agentes dispararam 1.500 tiros, segundo registros de ocorrência obtidos pela Rede Globo.

As equipes do Bope afirmaram, segundo os registros de ocorrência, que os disparos com arma de fogo só foram realizados como “último recurso”, mas que foi “extremamente” necessário por conta do poder bélico das vítimas. Além disso, negaram ter informações sobre feridos.

Segundo registros, os 22 policiais militares atiraram 1.514 vezes durante 35 horas de operação, o que significa um tiro a cada um minuto e 18 segundos.

Ainda de acordo com os documentos, na delegacia os PMs disseram que três cabos foram responsáveis sozinhos por quase 588 tiros. Durante a operação, os agentes também apreenderam drogas, rádios e uma espingarda.

Um outro registro realizado por policiais militares atesta que não houve tiros disparados por PMs e que foi feita mais apreensão de droga, rádios transmissores, munição e duas pistolas.

Já um terceiro registro, o qual foi realizado por um policial civil da Delegacia de Homicídios, relata que a corporação só teve conhecimento dos corpos encontrados no manguezal 13 horas depois do fim da operação e que os moradores acusavam os policiais militares como possíveis executores. 

A motivação, ainda de acordo com os moradores, seria a suposta vingança pela morte de um colega de farda. O policial civil registrou ainda que a cena do crime foi desfeita e que não havia testemunhas nem câmeras na região.

Moradores da comunidade retiraram nove corpos de um mangue próximo ao complexo. Além da chacina, a operação policial impediu que centenas de estudantes fossem prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) naquele dia 21. Neste domingo (28), o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) garantiu a reaplicação da prova aos prejudicados.

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