Policiais faziam escolta de Thiago Brennand, empresário que teve prisão decretada por estupro

O empresário Thiago Brennand tinha como prática contratar policiais e ex-policiais para acompanhá-lo. Um policial e ex-funcionário ouvido pelo GLOBO, sob condição de anonimato, diz que Brennand os solicitava para serem seus “ajudantes de ordem”, uma espécie de secretário de luxo. Segundo o agente, ele não prestava serviço de segurança particular, embora ocasionalmente andasse armado.

— Junto comigo entraram outros policiais para esse serviço. Ele não gostava de segurança, sempre foi muito arrogante. — Ajudante de ordem é um secretário que fica o dia todo, presencialmente, com a pessoa. Anota compromisso, paga conta...

Entenda o caso: Da agressão na academia à prisão de Thiago Brennand em Abu Dhabi

Saiba mais: Polícia apreende acessórios de armas em casa de Brennand

Pelo regulamento das polícias, agentes na ativa não podem fazer “bicos” de segurança particular na folga. Depois que a ligação de Brennand com policiais veio a público, a Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo abriu uma investigação para apurar os fatos. Em nota, o órgão informou que “chegou ao conhecimento o possível envolvimento de policial militar na segurança do empresário, razão pela qual foram adotadas as providências cabíveis para apuração”.

Já a Corregedoria da Polícia Civil esclareceu que foi determinada a abertura de procedimentos “para analisar o teor das correlatas investigações, ressaltando que até o momento nenhum deles diz respeito a possíveis escoltas feitas por policiais civis”.

MPF investiga: 'Índio do Buraco' achado morto no meio da floresta espera há dois meses para ser sepultado pela Funai

Alerta: Após assassinato de indígena, garimpeiros e ianomâmis podem voltar ao confronto em Roraima, diz MPF

Pelo menos duas vítimas afirmam que policiais e ex-policiais faziam a segurança do empresário. A estudante de medicina Stefanie Cohen, de 30 anos, o acusa de tê-la estuprado e forçado a fazer sexo anal depois de ser dopada e levada para um hotel.

— No dia seguinte, acordei sozinha no quarto. Quando abri a porta, tinha um segurança com a arma na cintura — relata.

O GLOBO apurou que o “funcionário” é o ex-policial militar de Pernambuco Nahilson Antonio de Oliveira, excluído da corporação em 2017. Oliveira entrou para a polícia em 2009 e respondeu a quatro processos administrativos disciplinares por desvio de conduta da atividade policial. Segundo um documento interno da PM de Pernambuco, o então soldado Oliveira e outros três colegas foram acionados para uma ocorrência policial em setembro de 2014. Um menor, flagrado com outros dois com uma motoneta roubada, foi preso pelos agentes. Antes mesmo de chegar à delegacia, desfaleceu. Foi socorrido, mas chegou à unidade de saúde já morto. O laudo médico atestou a causa da morte como “hemorragia interna na cavidade abdominal”. Três dos quatro militares foram excluídos da PM. Um foi licenciado.

Feriadões de 2023: Veja as datas de cada mês

'Não aceitava ficar sem beber': Givaldo Alves volta às ruas de Planaltina após fama e dinheiro por caso com esposa de personal

Outra vítima de estupro de Brennand é uma empresária de 37 anos que mora nos Estados Unidos. O caso ocorreu em agosto do ano passado em Porto Feliz, mesmo local para onde Brennand pretendia levar Stefanie. Segundo o relato da vítima registrado no processo, depois de uma briga, o empresário disse que havia câmeras escondidas no quarto e que os vídeos da relação sexual entre os dois seriam enviados para todos os conhecidos da mulher, caso ela fosse embora. Segundo ela, foi um segurança de Brennand, identificado como policial militar, quem a ajudou a ir embora. No relatório final da polícia, ele informou que foi “assessor administrativo” do acusado por cerca de sete anos.

Arsenal do crime mais potente: Apreensão de fuzis cresce 50% em São Paulo e 16% no Rio de Janeiro

Estudo: Cidades que convivem com garimpo possuem Índice de Progresso Social abaixo da média

À polícia, Brennand negou todos os crimes. Sua defesa afirma não ter nada a declarar. O ex-policial Nahilson Oliveira não quis comentar a acusação.