Policiais federais fazem carreata em frente a cemitério onde agente morto será enterrado

Letycia Cardoso
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Carreata da Polícia Federal na porta do cemitério

Mais de dez viaturas da Polícia Federal passaram com sirenes ligadas em frente ao Cemitério São Francisco Xavier, em Charitas, Niterói, onde o agente Ronaldo Heeren — morto na Favela do Rola, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio — será enterrado. A carreata foi uma forma de homenagem ao colega morto em serviço. Heeren e outro agente, Plínio Ricciard, teriam sido recebidos a tiros na comunidade carioca.

Um agente, que não quis se identificar, lamentou a morte do amigo.

— É uma lástima! Ele era colega de trabalho e um ótimo profissional. Tanto que, se fosse outro, teria recusado ir lá fazer o serviço — afirma.

Ricciard conseguiu saltar da viatura, pular alguns muros e se esconder em uma casa. Já Heeren foi achado por policiais do 27º BPM (Santa Cruz) no banco do motorista da Mitisubishi L200, a qual tinha em sua lateral uma pichação com a frase “vão morrer”.

Na madrugada deste sábado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu Leandro Pereira da Silva, conhecido como “Léo do Rodo”, suspeito de envolvimento na morte de Heeren. A operação aconteceu na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. De acordo com a PRF, ele seria o chefe da milícia nas comunidades do Rola e Antares, na Zona Oeste do Rio.

A viatura descaracterizada onde estava o corpo de Heeren foi pichada com as iniciais da maior facção criminosa do Rio. Desde outubro de 2018, milicianos assumiram o comando da favela, que antes era dominada pela quadrilha de traficantes. De acordo com fontes ouvidas pelo EXTRA, não houve nenhum confronto entre os dois grupos.

Policiais civis que investigam a milícia que age no Rola afirmam que a ordem para matar o agente federal foi dada pelo miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko. A pichação no carro teria sido uma forma de atribuir o crime ao tráfico. Em nota, a Polícia Federal lamentou a morte de Heeren e informou que ele e Ricciard faziam diligências.

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) também lamentou a morte do agente, que estava na PF havia 22 anos, e exigiu a "investigação rigorosa dos fatos".