Policiais que mataram carroceiro em Pinheiros são denunciados

Giorgia Cavicchioli
Ricardo Silva Nascimento morreu em julho de 2017. Foto: Reprodução/Facebook
Ricardo Silva Nascimento morreu em julho de 2017. Foto: Reprodução/Facebook

Os policiais José Marques Madalhano e Augusto Cesar da Silva Liberali foram denunciados pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) na última segunda-feira (22) pela morte do carroceiro Ricardo Silva Nascimento.

O caso aconteceu em julho de 2017 em Pinheiros e os policiais vão responder pelo crime de homicídio qualificado. Na denúncia, Madalhano aparece como executor e Liberali, como participante do crime.

De acordo com o promotor de Justiça Hidejalma Muccio, que denunciou os dois policiais, o crime aconteceu por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

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Na ocasião, o carroceiro tinha se incomodado com a presença dos PMs e passou a se desentender com os policiais. Ao ameaçar os dois agentes com um pedaço de pau, ele levou dois tiros.

Segundo o promotor, não era necessário o uso de uma arma de fogo para conter a ação do carroceiro. “Não lançou mão de sua ‘tonfa’, nem do gás de pimenta que levava consigo, nem agiu para impedir ou mesmo ponderar acerca da desnecessidade de emprego de meio mais violento”, escreveu na denúncia.

Na época do crime, uma das questões que mais causou repercussão, foi o fato de os policiais terem levado o corpo do carroceiro em uma viatura. A vítima, se estivesse viva no momento em que foi levada, deveria ter sido socorrida por uma ambulância.

Se o carroceiro já estivesse sem vida, era preciso que os policiais mantivessem o corpo no local do crime para que fosse feita a perícia.

O tenente Antônio Evaristo Rosa Neto disse que tinha ordenado a remoção do corpo de Nascimento porque ele estaria apresentando sinais vitais. Porém, a investigação desmentiu essa fala.

A ordem do tenente fez com que não fosse possível fazer uma perícia correta no local. O promotor pediu para que o caso seja oficiado à Justiça Militar e à Corregedoria da Justiça Militar. Assim, o comportamento do tenente poderá ser apurado.