Policial é gravemente ferida em ataque a faca na França

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PARIS — Uma guarda municipal francesa foi gravemente ferida em um ataque a faca em Chapelle-sur-Erdre, cidade a cerca de três quilômetros de Nantes, no Oeste do país. O suspeito, de identidade desconhecida, conseguiu escapar inicialmente, mas morreu após uma troca de tiros com a polícia.

O homem foi alvo de uma operação que envolveu mais de 200 policias e dois helicópteros, segundo as autoridades. Ele inicialmente conseguiu escapar da cena do crime de carro, mas se envolveu em um acidente. Em seguida, continuou a pé, armado com o revólver que havia pegado da policial ferida.

Segundo o jornal local Ouest-France, ele foi encontrado em uma floresta. Ao ser abordado pelas forças de segurança, houve uma troca de tiros, em que foi baleado. Dois policiais também ficaram feridos, no braço e na mão, mas não correm risco de vida.

A motivação do crime é desconhecida, mas segundo o canal BFM TV, o agressor teria se radicalizado na prisão, onde foi diagnosticado com esquizofrenia, e estava registrado no banco de dados das forças antiterrorismo. Ainda não está claro por quais crimes foi condenado após sua detenção em 2013, mas seriam de caráter violento.

Após cumprir uma pena de oito anos, ele foi solto em 22 de março e obrigado a realizar acompanhamento psquiátrico. De acordo com a emissora, o homem foi atendido ao menos três vezes pelo serviço de reinserção social e liberdade condicional.

"A polícia neutralizou o suspeito de realizar o ataque a faca contra uma policial municipal em Chapelle-sur-Erdre", disse em seu Twitter o ministro do Interior, Gerald Darmanin, que está indo para a região. "Meus sentimentos estão com os policiais feridos durante a operação."

De acordo com o Ouest-France, o homem teria entrado no quartel da polícia municipal em Chapelle-sur-Erdre por volta de 10h30 (5h30, hora do Brasil) e esfaqueado diversas vezes a mulher. De acordo com o prefeito de Chapelle-sur-Erdre, a mulher teria ficado ferida na perna, no braço e na mão.

A motivação do crime também ainda não é conhecida. A unidade antiterror do Ministério Público francês disse que está monitorando a situação, mas que de momento não assumiu as rédeas das investigações.

Na semana passada, milhares de policiais se reuniram no centro de Paris para exigir punições mais severas para crimes contra as forças de segurança, que têm se multiplicado nos últimos meses no país.

Ataques com facas têm sido nos últimos tempos a marca de atentados com motivação jihadista na França, que já fizeram cerca de 250 vítimas. Em 2019, quatro pessoas foram esfaqueadas até a morte na sede da polícia de Paris. Em outubro do ano passado, um professor do ensino médio foi decapitado por um jovem checheno de 18 anos na cidade de Conflans Saint-Honorine, a noroeste de Paris. Em 24 de abril, a pouco mais de um mês, uma agente administrativa da polícia até a morte nos arredores da capital.

O extremismo religioso, a segurança doméstica e noções de identidade francesa são questões polarizantes na sociedade francesa, que provavelmente serão assuntos centrais nas eleições presidenciais de 2022. Grupos da direita e da extrema direita acusam Macron de ser fraco neste quesito, pressão que levou o presidente a apresentar seu projeto de lei sobre os chamados "separatismos", que visa impor maiores controles à prática do Islã para combater o islamismo político e o terrorismo.

Entre o fim de abril e o início deste mês, por exemplo, dois manifestos militares foram publicados no espaço de menos de três semanas sugerindo uma intervenção militar para defender a França de uma "guerra civil iminente" devido às "concessões" feitas pelo governo ao islamismo e à imigração. Embora descartem qualquer possibilidade de uma intervenção militar na França, analistas ouvidos pelo GLOBO consideram grave a manifestaçao pública de integrantes do Exército.

Quem se aproveita da polarização é a candidata de extrema direita, Marine Le Pen, que aparece empatada com Macron nas pesquisas de intenção de voto no primeiro turno. Após a divulgação da primeira carta, a líder do Reunião Nacional, partido herdeiro da Frente Nacional, convidou os militares signatários a "juntarem a ela".

"Como pode um indivíduo sabidamente reconhecido por sua radicalização, por querer agredir policiais, ficar solto, livre para fazer o mal?", tuitou Le Pen após o incidente desta sexta. "O governo deve dar respostas a esta situação intolerável."

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