Policial ajuda vendedor de picolés e vira 'anjo' no Acre

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No final de 2020, o policial militar Derineudo de Souza dos Santos, 36, de Rio Branco (AC), precisou cancelar a confraternização de seu projeto social por causa da pandemia da Covid.

Não dava para aglomerar e, portanto, foi impossível manter o encontro anual do Programa Amigos Solidários, criado em 2015 e que oferece atividades esportivas e culturais a 850 jovens.

O policial ficou incomodado. "Eu preciso fazer algo", pensou. Teve, então, a ideia de ajudar um trabalhador e escolheu o vendedor de picolés Manoel Vieira, 59, que enfrentava dias difíceis nas ruas de Rio Branco.

Derineudo acompanhou o comerciante de porta em porta. Ajudou a oferecer sorvetes até esvaziar o carrinho de Manoel. Dessa forma, o vendedor pode voltar para casa com alimentos suficientes para passar o final de ano.

A boa ação viralizou na internet e o policial liderou uma mobilização para ajudar o comerciante de rua a comprar uma casa. O homem vivia em condições precárias, pagava aluguel e precisava andar muito até o local onde oferecia os picolés.

Uma vaquinha virtual arrecadou mais de R$ 100 mil, valor suficiente para Manoel ganhar uma casa reformada e mobiliada. A inauguração do novo lar, em maio deste ano, teve bolo confeitado, balões, brinde com champanhe e o picolezeiro de roupa nova para o evento.

"Tá tudo pintadinho, no jeito", comemorou na casa com cheiro de tinta, eletrodomésticos e comida na geladeira. "Eu pensava uma coisa, mas saiu melhor do que imaginava".

No final de 2021, o policial venceu o Prêmio Razões, da plataforma Razões para Acreditar, apresentado pelo humorista Fábio Porchat e pela empreendedora Sauanne Bispo. Ele foi escolhido por causa da vaquinha para comprar a casa de Manoel, realizada na plataforma.

É chamado de "anjo" por dedicar grande parte de seu tempo e até uma parcela do salário para ajudar outras pessoas.

A primeira ação social de Derineudo foi no bairro Caladinho, na periferia de Rio Branco, há seis anos.

Ele e a mulher, Fátima Cristina Ribeiro Souza, levaram sete brinquedos para doar a crianças. Havia mais de 30 meninos e meninas, ou seja, os presentes não foram suficientes.

Os dois pediram ajuda a amigos e um mês depois voltaram ao Caladinho com 450 brinquedos. A partir disso, ele não parou mais.

O policial aprendeu a ser solidário com o pai, que dava aula para crianças em situação vulnerável. "Conforme eu vi as dificuldades, jovens sonhando sem enxergar uma luz, entendi que somos peças fundamentais na vida de muitas pessoas", diz.

Ele fundou o Programa Amigos Solidários, que oferece aulas de música, balé, futebol, ginástica e natação. Além disso, entrega cestas básicas a famílias pobres.

Derineudo tem um sonho. Ele mora em um imóvel alugado e quer conquistar a casa própria. Após ajudar o vendedor de picolés e outras famílias, agora o policial está no centro de uma vaquinha organizada pelo Razões para Acreditar. A meta é arrecadar R$ 135 mil para ele comprar uma casa.

"Recebi a notícia com muita alegria", afirma, emocionado. "Isso é mais um combustível para que a gente continue dizendo para as pessoas: o segredo da vida é abençoar os mais necessitados. Quero ajudar cada vez mais".

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