Policial apontado como líder de motim anuncia expulsão da PM do Ceará

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RIO - Apontado como um dos líderes do motim de policiais e bombeiros, em fevereiro de 2020, o ex-deputado federal Cabo Sabino (Avante) anunciou ter sido expulso da Polícia Militar. Sabino publicou nesta terça-feira, em suas redes sociais, que a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública (CGD) decidiu por sua exclusão dos quadros da corporação.

- A comissão da CGD decidiu hoje pela minha expulsão da PMCE após 29 anos de serviço. Como disse o apóstolo Paulo: 'Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé. Isso só Deus pode tirar de mim, não cabe aos homens' - escreveu Sabino.

A decisão da CGD foi tomada em uma audiência do processo administrativo a que Cabo Sabino responde, segundo o Diário do Nordeste. O parecer ainda passará por outras instâncias da Polícia Militar, até a decisão final sobre a expulsão. O ex-deputado, no entanto, se antecipou à sanção que deve sofrer. Ele é da reserva remunerada da Polícia Militar do Ceará.

Procuradas, a CGD e a Associação das Praças do Estado do Ceará (ASPRA), que representa Cabo Sabino no processo, não se manifestaram até a publicação da reportagem.

Além do âmbito administrativo, Cabo Sabino também responde criminalmente. Ele é réu na Justiça cearense por incitamento, aliciamento para motim ou revolta, motim, revolta, omissão de lealdade militar, publicação ou crítica indevida e inobservância de lei, regulamento ou instrução. Todos esses crimes estão previstos no Código Penal Militar (CPM).

A denúncia feita pela Promotoria de Justiça Militar e Controle Externo da Atividade Policial sustenta que Cabo Sabino foi o principal "cabeça" do motim. Ele iniciou sua participação no movimento em 13 de fevereiro de 2020, com a publicação de um vídeo no Facebook para instigar e conclamar os PMs a participarem da paralisação.

Motim

O motim ocorreu a pretexto de reivindicar melhoria salarial. Durante a greve, policiais encapuzados invadiram instalações militares, furaram pneus das viaturas, impediram o trabalho dos colegas que não aderiram ao movimento e atacaram os que realizavam patrulhamento.

No período da greve, foram registrados 321 homicídios no Ceará, sendo 114 apenas em Fortaleza. Além da capital, houve motins em quartéis de Sobral, Itapipoca e Juazeiro do Norte. Para conter o avanço da violência, foi preciso enviar homens do Exército e da Força Nacional de Segurança.

No momento mais tenso da paralisação dos policiais, o senador Cid Gomes (PDT-CE) foi atingido por dois disparos de arma de fogo ao tentar furar um bloqueio de policiais no município de Sobral usando uma retroescavadeira.

O motim terminou após os policiais aceitarem uma proposta para encerrar a paralisação e retornar ao trabalho. O acordo não previa anistia aos que participaram do motim, uma das exigências dos policiais originalmente, mas assegurou que os PMs teriam acompanhamento de instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública e o Exército durante os procedimentos legais.

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