Policial Civil ajudou integrante do PCC a tirar RG falso em SP

Polícia Militar fazendo segurança na avenida Paulista, em São Paulo. (Getty Creative)
Polícia Militar fazendo segurança na avenida Paulista, em São Paulo. (Getty Creative)

Um investigador da Polícia Civil de São Paulo é suspeito de colaborar para que o narcotraficante Anselmo Becheli Santa Fausta, 38, o Cara Preta, ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) conseguisse um RG falso. O policial teria levado pessoalmente o traficante ao posto do IIRGD (Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt) em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. O traficante, que foi assassinado no ano passado, utilizou o documento falso para comprar uma das maiores empresas de ônibus da zona leste da capital paulista. A informação foi divulgada pelo repórter Fábio Diamante na edição desta quinta-feira (2) no SBT Brasil.

A Corregedoria da Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso e o investigador foi retirado das funções. Ele também é acusado de envolvimento em uma operação que terminou com a morte de dois inocentes e por isso responde a um processo no Tribunal do Júri.

Cara Preta

Morto em dezembro de 2021 no Tatuapé, zona leste de São Paulo, o traficante era fornecedor de drogas e armas da organização criminosa. A morte dele intensificou o conflito no PCC. Noé Alves Schaun, 42, acusado de matá-lo, foi decapitado pelo "tribunal do crime" da facção.

De acordo com a investigação, foi com o nome falso de Eduardo Camargo de Oliveira que Cara Preta comprou a UPBUS Qualidade em Transportes Ltda. A empresa de ônibus fechou contrato com a Prefeitura de São Paulo, através de licitação, no valor de R$ 574 milhões por ano. Entretanto, os delegados responsáveis pela investigação dizem que o traficante adquiriu a companhia em nome de parentes e não em nome próprio.

A empresa opera 13 linhas de ônibus e o capital social soma R$ 20 milhões. De acordo com a Polícia Civil, Cara Preta e sócios compraram a empresa para lavar dinheiro do tráfico de drogas.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma que não sabe o teor das investigações, mas que irá acompanhar o caso e colaborar com a polícia naquilo em que for solicitada.

Na última quinta-feira (2), policiais civis realizaram uma operação para desarticular o esquema da organização criminosa liderada no passado pelo narcotraficante. Foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão, inclusive na sede da UPBUS, e em endereços ligados aos sócios da empresa. Os agentes apreenderam fuzis, pistolas, revólveres e submetralhadora, que estavam legalizados em nome de colecionadores.

Entretanto, a Polícia Civil acredita que as armas estão em nome de laranjas a serviço do PCC e que elas são utilizadas para a prática de assaltos e outros crimes.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos