Policial federal morto na Favela do Rola, em Santa Cruz, estava prestes a se aposentar

Rafael Nascimento de Souza
Colegas da PF estiveram no IML para acompanhar a liberação do corpo de Ronaldo Heeren

RIO — O policial federal Ronaldo Heeren, de 58 anos, morto na tarde desta quinta-feira na Favela do Rola, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, foi atingido por pelo menos dois tiros, um na cabeça e outro na barriga. É o que revela o exame preliminar de necropsia realizado no Instituto Médico Legal (IML).

Heerne trabalhava na Polícia Federal (PF) há 23 anos. Segundo colegas, ele estava prestes a se aposentar. Solteiro e sem filhos, morava em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. O agente da PF foi descrito por amigos e familiares como excelente profissional e alguém que gostava do que fazia.

— Ele era muito profissional e uma pessoa muito humana — disse um primo do policial que não quis se identificar.

O policial será enterrado às 14h de sábado no Cemitério São Francisco Xavier, em Charitas, Niterói. O velório começa às 10h, na capela 1.

O carro onde o policial estava foi pichado com as iniciais da maior facção criminosa do Rio. Desde outubro de 2018, milicianos assumiram o comando da favela, que antes era dominada por traficantes. Em um dos vidros da viatura, foi escrita a frase “Vai morrer”. O veículo foi deixado pelos criminosos na Rua São Lourenço, em Antares.

De acordo com fontes ouvidas pelo EXTRA, as pichações no carro são consideradas uma forma que milicianos encontraram para tentar atrapalhar as investigações e colocar a culpa da morte do agente federal em traficantes. Não houve nenhum confronto entre os dois grupos criminosos nesta quinta-feira.

A Polícia Civil esteve na comunidade para fazer uma perícia. Entretanto, os investigadores da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) disseram que a Polícia Federal já havia feito o trabalho.

— Esse caso ficará com a PF porque é de interesse da União. É um desejo saber quem assassinou esse agente — disse um delegado da DHC, que preferiu não se identificar — Caso essa investigação ficasse com a DHC, essa morte, como dezenas de outros assassinatos, iria recair sobre o Wellington da Silva Braga, o Ecko. Ele é o responsável pelo grupo paramilitar que domina aquela região. Ecko é o responsável por todos os assassinatos no Rola e no Antares. É um assassino sanguinário.