Policial marido de presa por espionar o Bope foi condenado por roubo de combustível

Carolina Teixeira da Silva, uma das mulheres que foi presa por monitorar a saída de comboios do Bope e do Batalhão de Choque através de câmeras instaladas em um apartamento em Laranjeiras e em uma loja na Rua Frei Caneca, é casada com um policial militar. Carlos Henrique Neves da Silva, preso em junho de 2019 em uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil, foi apontado como um dos líderes de uma organização criminosa que roubava dutos da Transpetro.

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De acordo com as investigações, Carlos Henrique era um dos responsáveis pela dinâmica de escavação e derivação clandestina do petróleo subtraído dos dutos da Transpetro, definindo dias, locais e horários, contratando mão-de-obra para as escavações, retirada e transporte do petróleo roubado. O policial, marido de Carolina, foi condenado pela Justiça em outubro de 2020 a 20 anos e 6 meses de prisão, e segue preso no Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar (BEP) em Niterói.

A decisão judicial em primeira instância também determinou a perda do cargo público. "As consequências dos crimes de roubo e contra ordem econômica foram graves, diante da elevada quantidade de combustível subtraída (120 mil litros)", escreveu na sentença a juíza Daniella Correia da Silva, da Vara Única de Silva Jardim.Não há, até o momento, nada que ligue o policial militar preso com o “serviço de espionagem do tráfico”. Mas, segundo o delegado responsável pelo caso e a Polícia Militar, nenhuma linha de investigação está sendo descartada.

Carolina Teixeira já deu entrada no sistema prisional e segue presa em Benfica, aguardando audiência de custódia, assim como Keley Cristina Domingos dos Santos, que também foi presa por espionar batalhões da polícia militar e repassar a informação para criminosos. As duas não tinham passagem pela polícia. De acordo com o Tribunal de Justiça, a data das audiências de custódia ainda serão definidas.

O delegado responsável pelo caso, Hilton Alonso, pediu a quebra do sigilo telefônico de Carolina e Keley, que no dia da prisão estavam com seis celulares dentro do veículo que usavam para seguir o comboio do Bope.

— O trabalho de ontem é a ponta do iceberg. Foi aberta uma nova investigação para apurar os demais integrantes dessa quadrilha, bem como quem estava financiando esse tipo de serviço para o crime organizado — afirmou o delegado.

Hilton Alonso também informou que Carolina Teixeira e Keley Cristina entraram em contradição nos depoimentos prestados na delegacia. Elas deram versões diferentes tanto sobre o caminho que estavam fazendo quando foram abordadas por policiais do Bope, que perceberam que estavam sendo seguidos, quanto sobre quem morava no apartamento de Laranjeiras, onde câmeras monitoravam a saída das equipes do Batalhão.

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