Policial penal que matou petista em Foz do Iguaçu vira réu

O policial penal Jorge Guaranho virou réu por homicídio duplamente qualificado do tesoureiro municipal do PT em Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda. A denúncia foi recebida nesta quarta-feira pelo juiz do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) Gustavo Germano Francisco Arguello.

Guaranho invadiu o aniversário de Arruda no último dia 9 e o matou a tiros. Arruda comemorava os 50 anos em uma festa com temática do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O agente penal é apoiador do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

O Ministério Público do Paraná havia oferecido a denúncia nesta quarta-feira. Segundo o órgão, o crime foi cometido por motivo fútil e perigo comum. A avaliação difere da apresentada pela Polícia Civil, que havia indiciado Guaranho por homicídio qualificado por motivo torpe.

O juiz do TJ-PR deu 10 dias para Guaranho apresentar sua defesa por escrito.

— [O caso] possui a presença de indícios suficientes de autoria e prova de materialidade do crime — escreveu Arguello no despacho.

O inquérito que investigou o crime foi finalizado na última sexta-feira, 15. A Polícia Civil do Paraná concluiu que o homicídio não pode ser considerado um crime de ódio, por motivação política.

Porém, após pedidos do Ministério Público do Paraná e da família de Arruda, o juiz Gustavo Arguello, da 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu (PR), determinou o retorno do inquérito à Polícia Civil. O magistrado solicitou aos investigadores o cumprimento de novas investigações.

Advogados criminalistas ouvidos pelo GLOBO julgaram equivocada a decisão da polícia de ter descartado a motivação política. Para três especialistas em direito, a conclusão da delegada Camila Cecconello minimizou um episódio grave e abriu margem para que outras ocorrências ocorram sob o mesmo pretexto.

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