Policial que aparece espancando Beto Freitas até a morte em vídeo é desligado da Brigada Militar do RS

Rodrigo de Souza
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Reprodução

PORTO ALEGRE - O soldado miltar temporário Geovane Gaspar da Silva, envolvido no assassinato de Beto Freitas no Carrefour de Porto Alegre, foi desligado da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada pela Secretaria de Segurança Pública do estado nesta sexta-feira e será publicada na próxima edição do Diário Oficial.

O Comando-Geral da corporação determinou o desligamento do praça com base na Lei 11.991/03, que regulamenta as funções do soldado temporário. Segundo a BM, ele cometeu transgressão disciplinar grave quando, de folga, se envolveu no espancamento e no assassinato de João Alberto da Silva Freitas, homem negro, no dia 19 de novembro deste ano.

A Brigada Militar também reforçou que garantiu o cumprimento de todos os prazos e previsões legais do Processo Administrativo Disciplinar (PAD), aberto no dia 23 de novembro, e concedeu ao militar estadual temporário amplo direito de defesa.

A atividade de Geovane na BM se limitava a funções administrativas. Ele também trabalhava como segurança na unidade do Carrefour como contratado da empresa Vector. Geovane e o outro segurança envolvido no episódio, Magno Braz Borges, foram demitidos da Vector por justa causa.

Ambos foram detidos em flagrante e levados a uma prisão preventiva, onde Geovane, após se recursar a prestar depoimento, conversou com os investigadores da Polícia Civil no dia 27 de novembro. Em depoimento de mais de quatro horas, Geovane negou que tenha agido com violência por racismo e afirmou que tinha apenas intenção de imobilizar a vítima. O circuito de imagens, no entanto, mostra Geovane desferindo uma série de socos contra Freitas.

A defesa do ex-PM argumenta que não foi a ação de Geovane que causou a morte de Beto, mas a pressão feita com o joelho nas costas da vítima pelo segurança Magno. Para a defesa, Geovane agiu por legítima defesa e deveria responder apenas lesão corporal.

— O meu cliente tentou apaziguar a situação. Ele agiu em legítima defesa. O João Alberto deu dois socos no Giovane. Ele deu socos porque não havia outro jeito de segurar e de conter o João Alberto — disse o defensor.

De acordo com a delegada Roberta Bertoldo, que investiga o caso, Geovane relatou que, na noite do crime, foi avisado pelo rádio interno da loja que era "solicitada ajuda" no caixa 25 do estabelecimento. Lá, encontrou João Alberto "olhando de uma forma um tanto braba para uma das fiscais". A vítima, segundo o circuito de imagens, afastou-se do cliente, que lhe fez um gesto.

Geovane, ainda de acordo com seu depoimento, teria perguntado a João Alberto se estava tudo bem, e o cliente respondeu que "estava tudo tranquilo" e saiu. No entanto, como não sabia o que havia acontecido, o policial resolveu seguir atrás.

O policial revelou que, em determinado momento, durante a agressão, percebeu que João Alberto havia perdido os sentidos, e achou que ele havia desmaiado. E também confirmou que Adriana Alves Dutra, agente de fiscalização, era responsável por orientar os vigias, mas que não conseguiu ouvi-la durante o espancamento da vítima, devido ao barulho no local. Adriana também foi presa.

Após o episódio, o comando da Brigada Militar se manifestou favorável à culpa de Giovane no processo administrativo disciplinar aberto para apurar o crime.

A diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Vanessa Pitrez, ressaltou que ainda trabalha na apuração da motivação do crime, embora não haja dúvidas que que houve intenção de matar.

— Não há dúvidas que houve um homicídio doloso — afirmou Pitrez.