Poluição nas lagoas da Baixada de Jacarepaguá compromete Praia da Barra

Lucas Altino e Marcia Foletto
Coloração esverdeada da Lagoa de Jacarepaguá, em decorrência da proliferação de cianobactérias, que podem produzir toxinas prejudiciais à saúde

RIO - Ano após ano, a poluição no Complexo Lagunar da Baixada de Jacarepaguá é pauta de protestos de ativistas ambientais e moradores da região. O problema, no entanto, não está mais restrito às lagoas, mas afeta também a Praia da Barra. O biólogo Mario Moscatelli, que há décadas milita no assunto, alerta para a probabilidade de a balneabilidade da praia ser afetada, e explica que, com a chegada do verão, a forte coloração verde das lagoas — conforme O GLOBO registrou em foto aérea no último sábado (16) — será uma constante.

A previsão encontra embasamento nos boletins recentes de balneabilidade do Inea: desde a última semana de setembro, em quatro ocasiões, o trecho da praia em frente ao Riviera — historicamente limpo — esteve impróprio para banho.

— Todos os rios do sistema lagunar são valões de esgoto. Mas quando chega o verão a situação se agrava, pois as condições climáticas de luminosidade e temperatura, junto ao esgoto, propiciam proliferação descontrolada de cianobactérias, e então vemos essa cor verde abacate. O ponto posterior é que toda essa parte de esgoto escoa para a Praia da Barra no periodo de maré baixa — explicou o biólogo Mario Moscatelli.