Visita histórica de Pompeo a Golã e colônia israelense na Cisjordânia

Guillaume LAVALLÉE, Francesco FONTEMAGGI
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O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (e), junto ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (e), junto ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém

O secretário de Estado americano Mike Pompeo realizou nesta quinta-feira(19) uma visita sem precedentes a uma colônia israelense da Cisjordânia e ao Golã, em mais um ato de apoio que o governo de Donald Trump tem demonstrado a Israel nos últimos quatro anos.

Pela primeira vez um secretário de Estado americano visitou um assentamento israelense na Cisjordânia, território território palestino ocupado por Israel desde 1967.

Pompeo visitou o vinhedo de Psagot, situado na área industrial israelense de Shaar Binyamin, entre Jerusalém e a cidade palestina de Ramallah.

Segundo imagens da televisão israelense, o chefe da diplomacia americana foi escoltado por um importante dispositivo militar.

A vinícola Psagot vende a maioria de sua produção no exterior, principalmente nos Estados Unidos e Europa, além de ter um vinho que recebeu o nome de Pompeo para agradecer o secretário de Estado pelo seu apoio aos assentamentos israelenses.

"As vinhas dos vinhedos israelenses deste lugar contam uma história de 2.000 anos, a da relação de um povo e sua terra", disse a equipe de Pompeo após a visita.

Desde que Donald Trump chegou à Casa Branca, os Estados Unidos mostraram um apoio inabalável a Israel: reconheceu Jerusalém como capital e também a soberania israelense no Golã, tomado da Síria na guerra de 1967 e anexado em 1981.

A bordo de um helicóptero Blackhawk e acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores israelense Gabi Ashkenazi, Pompeo dirigiu-se às colinas.

"Não se pode chegar aqui, ver o que está do outro lado da fronteira e negar a parte essencial do que o presidente Trump reconheceu: isso é parte de Israel", disse Pompeo.

"Imagine o risco que representaria para o Ocidente e para Israel se esse território estivesse sob o controle de Assad(presidente sírio)", disse Pompeo.

"A visita de Pompeo é um movimento de provocação antes do fim da presidência de Trump, e uma violação flagrante da soberania da República Árabe Síria", reagiu o governo Assad.

- "Made in Israel" -

Em março de 2019, Estados Unidos tornou-se o primeiro país do mundo a reconhecer a soberania israelense sobre este território estratégico, localizado na fronteira com o Líbano e a Síria. A decisão provocou críticas de vários países e a ONU afirmou que o status do Golã, como área ocupada, permaneceria o mesmo.

Durante o governo de Netanyahu e o mandato de Trump, a colonização da Cisjordânia e Jerusalém-Leste - parte palestina da cidade ocupada e anexada por Israel - registraram um avanço desconhecido.

Neste momento, mais de 450.000 israelenses residem nesses assentamentos da Cisjordânia, território em que vivem 2,8 milhões de palestinos. Junto a eles, somam-se cerca de 200.000 israelenses que vivem em assentamentos na parte oriental de Jerusalém. Essas colônias são ilegais aos olhos do direito internacional.

Em novembro de 2019, Pompeo afirmou que esses assentamentos não eram ilegais. Naquele dia, várias garrafas foram abertas em Psagot em homenagem ao chefe da diplomacia.

Nesta quinta-feira, após visitar o vinhedo, Pompeo deu um passo adiante e anunciou que Estados Unidos vai rotular as exportações das colônias da Cisjordânica com a menção "Made in Israel" - fabricado em Israel.

Essas decisões "não legitimarão as colônias israelenses, que desaparecerão cedo ou tarde", afirmou o porta-voz do presidente palestino Mahmud Abas, Nabil Abu Rudeina.

Em 2019, a Justiça europeia declarou que os produtos, principalmente alimentícios, procedentes dos territórios ocupados por Israel que entrem na União Europeia (UE) não podem levar uma etiqueta que diga "Made in Israel" e deveriam explicar que procediam de uma colônia.

- BDS "antissemita" -

Pompeo não se reuniu com nenhum líder palestino nesta viagem.

O governo do presidente Mahmoud Abbas reduziu ao mínimo os contatos com o governo americano após suas decisões dos últimos anos, consideradas favoráveis apenas a Israel.

No entanto, nesta mesma quinta-feira, autoridades israelenses e palestinas se reuniram para tratar da coordenação essencial em questões financeiras, de saúde e políticas, após seis meses de interrupção.

Em sua visita a Israel, Pompeo também anunciou que Estados Unidos considerará "antissemita" o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções).

O BDS é uma campanha internacional de boicote econômico, cultural e científico contra Israel, visando forçar o fim da ocupação e da colonização dos territórios palestinos.

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