Pompeo inicia visita a Israel com Irã e colônias sobre a mesa

Guillaume LAVALLÉE
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O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e sua esposa, Susan, descem do avião no aeroporto de Ben Gurion, em Tel Aviv
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e sua esposa, Susan, descem do avião no aeroporto de Ben Gurion, em Tel Aviv

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, iniciou nesta quarta-feira (18) uma visita de despedida de dois dias em Israel, que cria relutância entre os palestinos sobre um possível deslocamento para uma colônia na Cisjordânia ocupada.

Após sua passagem por França, Turquia e Geórgia, o chefe da diplomacia americana chegou a Israel, em um contexto de transição em Washington depois da derrota eleitoral de Donald Trump para o democrata Joe Biden.

A sucessão na Casa Branca levanta várias dúvidas sobre o futuro das sanções americanas ao Irã, o plano de Washington para resolver o conflito entre Israel e Palestina e a normalização das relações do Estado hebreu com os países árabes.

Em Tel Aviv, está o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdellatif al-Zayani, representando a primeira visita oficial de um ministro desta monarquia do Golfo a Israel.

Al-Zayani se reunirá nesta quarta-feira (18) com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com Pompeo para abordar a normalização de relações entre o Estado hebreu e os países árabes, que estão criando com Israel uma coalizão para impedir as ambições regionais do Irã.

Bahrein e Emirados Árabes Unidos assinaram em setembro, em Washington, acordos para estabelecer relações com Israel. A decisão é vista como "traição" pelos palestinos.

Os palestinos consideram que esses acordos quebram a ideia até agora considerada no mundo árabe de que qualquer normalização das relações com Israel exige antes um acordo de paz israelense-palestino.

Segundo o jornal "The New York Times", Donald Trump sondou na semana passada vários de seus principais colaboradores para implementar "nas próximas semanas" uma ação contra uma instalação nuclear iraniana, mas foi dissuadido de executá-la.

- "Volte para casa" -

Pompeo não programou nenhuma reunião com os líderes palestinos durante sua visita.

Segundo a imprensa israelense, poderá visitar uma colônia israelense na Cisjordânia ocupada, a cidade vinícola de Psagot.

Consultados pela AFP, nem a diplomacia americana nem as autoridades de Psagot confirmam esta possível visita, que seria a primeira de um chefe da diplomacia americana a uma colônia da Cisjordânia.

Nesta quarta-feira, dezenas de palestinos se manifestaram em Al-Bireh, cidade localizada em frente a Psagot. "Pompeo volte para casa", diziam alguns dos cartazes, conforme observado por um jornalista da AFP.

"A visita de Pompeo é um crime, porque contradiz todas as resoluções internacionais", afirmou Munif Treish, membro do governo de Al-Bireh, em coletiva de imprensa.

"As vinhas (de Psagot) foram construídas sobre terras privadas palestinas", continuou. "Temos os documentos que comprovam isso", completou.

A colonização israelense nos territórios palestinos teve um grande impulso nesses últimos anos sob o governo de Netanyahu e com o apoio de Donald Trump na Casa Branca.

Consideradas ilegais pelo direito internacional, mais de 45.000 israelenses residem nestas colônias na Cisjordânia, um território ocupado por Israel desde 1967, onde vivem 2,8 milhões de palestinos.

Há um ano, porém, Mike Pompeo anunciou que os Estados Unidos deixariam de considerar essas colônias como contrárias ao direito internacional.

A decisão foi comemorada pela região vinícola de Psagot, que há anos luta para manter o nome "Israel" em suas garrafas, em vez de "colônias israelenses", como decidiu a Justiça europeia.

"Se as relações internacionais são baseadas em garrafas de vinho, é a morte da diplomacia", declarou na terça-feira o primeiro-ministro palestino, Mohamed Shtayé.

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