Pompeo se reúne em Riad com dirigentes sauditas em visita sensível

Por Francesco FONTEMAGGI
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O rei Salman da Arábia Saudita (D) e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo (E), em Riad, em 14 de janeiro de 2019

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, se reuniu nesta segunda-feira (14), em Riad, com o rei Salman e seu herdeiro para preservar a aliança com a Arábia Saudita e, ao mesmo tempo, mostrar algo de firmeza ante o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

Segundo o secretário de Estado, os dirigentes sauditas "reafirmaram o seu compromisso" de que os responsáveis pelo assassinato de Khashoggi prestarão contas.

"O príncipe herdeiro e o rei Salman reconhecem que é necessário prestar contas (...) Falam de um processo que se desenvolve atualmente e reiteraram o seu compromisso", assinalou Pompeo depois de se reunir com os dois dirigentes sauditas.

"Nossas expectativas são muito claras", afirmou o chefe da diplomacia americana, reiterando "um compromisso contínuo de perseguir todos os que estão vinculados" à morte de Jamal Khashoggi, crítico do regime, em 2 de outubro no consulado de seu país em Istambul.

O julgamento dos 11 suspeitos foi aberto em 3 de janeiro na Arábia Saudita e o procurador-geral pediu pena de morte aos cinco acusados. Washington, por sua vez, sancionou 17 responsáveis sauditas.

Mas mais de três meses depois do assassinato, ainda não encontraram o corpo do colaborador do jornal Washington Post, e permanecem pontos sem esclarecer, como a identidade do ou dos instigadores desta operação realizada por um comando de 15 agentes sauditas.

Pressionadas, as autoridades sauditas acabaram admitindo que o jornalista foi drogado e que morreu de overdose. Seu corpo foi esquartejado dentro do consulado. Mas não relacionaram o príncipe herdeiro ao caso.

A morte do jornalista afetou a aliança dos Estados Unidos com o reino, pilar tradicional das alianças regionais de Washington, perturbando a mensagem americana em um momento no qual a administração de Donald Trump tenta forjar uma "coalizão" sólida contra o país que designa como inimigo comum: o Irã xiita.

Embora o Senado americano, controlado pelos republicanos, tenha claramente acusado o príncipe herdeiro de ser responsável pelo assassinato, Washington afirmou que quer manter as relações estratégicas com o reino, "incrivelmente importantes para os americanos".

Os Estados Unidos parecem apressados para virar a página, assim como Riad.

Em sua visita anterior, em meio à crise após o assassinato de Khashoggi, os risos de Pompeo ao lado do príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman, conhecido como MBS, causaram indignação em Washington.

Desta vez, Pompeo se mostrou mais reservado, com um sorriso mais protocolar.

- Direitos humanos -

Em um feito raro, o secretário de Estado também disse à imprensa que havia discutido com os líderes sauditas a questão dos "direitos humanos aqui na Arábia Saudita" e especialmente das "mulheres militantes", algumas das quais estão na cadeia há meses.

Mas ele não foi tão longe a ponto de criticar o comportamento de MBS que, por trás de uma imagem de reformador, é acusado por organizações e observadores de aplicar uma severa repressão contra vozes críticas no reino.

"Os sauditas são amigos e, entre amigos, se diz o que se espera um do outro", "assim, comentamos as questões em que pensamos que o reino não faz como gostaríamos", explicou Pompeo.

Para os Estados Unidos, a Arábia Saudita tem um papel insubstituível em várias questões.

Primeiro, na luta contra Teerã, complicada por vários obstáculos, como a crise entre os sauditas e Catar.

A Arábia Saudita participa, com o apoio do Pentágono, da guerra no Iêmen contra os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã. Pressionado nesta frente pelo Senado, que quer acabar com o apoio militar, a diplomacia americana aposta na resolução do conflito após negociações promissoras na Suécia, mas a situação continua tensa no terreno.

Sobre isso, Pompeo denunciou, depois do encontro com o príncipe herdeiro saudita, que os rebeldes huthis, assim como o irã, "não cumprem com o acordado" na Suécia.

Em Riad, o secretário de Estado também discutiu a retirada dos EUA da Síria. Washington conta com seus aliados regionais, como a Arábia Saudita, para assumir seu lugar, sobretudo em financiamento, de seus esforços na guerra e na reconstrução do país.

Depois de Riad, Pompeo viajou para Omã na tarde desta segunda, onde se encontrou com o sultão Qabus, que em outubro recebeu uma visita muito incomum do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

O secretário de Estado, no entanto, cancelou sua visita ao Kuwait, marcada para terça-feira, para retornar aos Estados Unidos mais cedo por motivos familiares. Ele deixou Omã à noite, concluindo essa turnê regional que começou em 8 de janeiro.