Pompeo visita o Golfo para discutir 'ameaça' iraniana

Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, na chegada a Riade, em 19 de fevereiro de 2020

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, chegou nesta quarta-feira a Riade para discutir com dirigentes sauditas sobre as tensões com o Irã, durante sua primeira visita ao Golfo desde que um general iraniano de alto escalão morreu em um ataque dos Estados Unidos.

"Passaremos muito tempo falando de temas de segurança com a ameaça da República Islâmica do Irã em particular", declarou Pompeo à imprensa.

De acordo com Pompeo, os Estados Unidos estão "dispostos a falar com o Irã a todo momento", mas, disse ele, o regime iraniano deve "mudar fundamentalmente seu comportamento".

O general iraniano Qassem Soleimani, arquiteto da estratégia de influência de Teerã no Oriente Médio, morreu no começo de janeiro em um ataque com drone em Bagdá, o que despertou a cólera do Irã, que lançou mísseis contra as forças americanas no Iraque.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou seu país do acordo nuclear com o Irã e impôs sanções drásticas contra Teerã.

Pompeo se reunirá com o rei Salman, com o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman e com o ministro de Relações Exteriores Fayzal bin Farhan, segundo funcionários do Departamento de Estado.

Por outro lado, Pompeo garantiu que também discutirá sobre "direitos humanos" na Arábia Saudita, país acusado pelas ONGs de reprimir dissidentes.

O assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi - que trabalhava para o Washington Post - em 2018 colocou as relações entre Washington e Riade à prova.

- 'Promessas vazias' da China -

O chefe da diplomacia dos EUA chegou a Riade depois de concluir sua primeira viagem à África Subsaariana, onde lançou implicitamente um ataque à China.

"Os países devem ter cuidado com regimes autoritários com promessas vazias. Eles geram corrupção e dependência", disse Pompeo, em discurso a diplomatas e empresários da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, na capital etíope, Adis Abeba.

"Eles correm o risco de não perceberem a prosperidade, a soberania e o progresso que a África precisa e deseja desesperadamente", acrescentou, sem mencionar diretamente a China, o maior parceiro comercial da região.

Pequim desenvolveu uma forte presença no continente africano. Na cúpula China-África, foram prometidos cerca de US$ 60.000 bilhões em novos financiamentos.

Mas o projeto de infraestrutura "Novas rotas da seda", lançado em 2013 por Pequim para conectar Ásia, Europa e África à China, foi acusado de favorecer empresas e trabalhadores chineses em detrimento das economias locais, endividando os países anfitriões, e de desconsiderar os direitos humanos e o meio ambiente.

Após três anos de governo de Trump, Pompeo é a mais alta autoridade americana a visitar a África Subsaariana, neste caso Senegal, Angola e Etiópia.

Durante sua visita ao Golfo, Pompeo também passará por Omã, outro aliado de Washington, para conhecer o novo sultão, Haitham bin Tarek. Seu antecessor, o sultão Qabus, que morreu em janeiro, fez de Omã um importante intermediário entre o Irã e os Estados Unidos.