Pompeo visita países aliados dos EUA que reconheceram vitória de Biden

Francesco FONTEMAGGI
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Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (3o, à esq.), ao desembarcar no aeroporto de Le Bourget, em Paris, França, em 14 de novembro de 2020
Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (3o, à esq.), ao desembarcar no aeroporto de Le Bourget, em Paris, França, em 14 de novembro de 2020

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que afirma estar se preparando para um segundo mandato de Donald Trump, chegou neste sábado (14) a Paris e, na sequência, viajará para outros países aliados que já consideram o democrata Joe Biden presidente eleito dos Estados Unidos.

"Haverá uma transição sem problemas para um segundo governo".

A frase de Pompeo, divulgada na terça-feira e acompanhada de um sorriso, causou polêmica. Significa que o mais importante membro do gabinete dos Estados Unidos, encarregado de representar o país no exterior, nega-se a admitir a vitória do democrata, já reconhecida na maioria das capitais aliadas de Washington.

Pompeo também criticou líderes internacionais, como o presidente francês, Emmanuel Macron, que rapidamente telefonaram para Biden para parabenizá-lo e prometer sua cooperação.

"Ele ainda é o secretário de Estado", alegou um alto funcionário dos Estados Unidos.

Pompeo está "concentrado em nossas missões" em defesa "dos interesses e das prioridades dos Estados Unidos", acrescentou a mesma fonte.

Em Paris, aonde Pompeo chegou esta manhã, o governo deixou claro que a era Trump ficou para trás.

Macron receberá Pompeo na segunda-feira de manhã, a pedido do secretário americano, mas "com total transparência com a equipe do presidente eleito, Joe Biden", insistiu o Palácio do Eliseu, destacando que os contatos com as futuras equipes do governo dos EUA já estão "estabelecidos e operacionais".

A etapa parisiense, que permitirá a Pompeo homenagear as vítimas dos recentes atentados terroristas, promete ser tensa, assim como vários outros momentos da viagem.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, já advertiu que vai manifestar a Pompeo sua oposição à aceleração da retirada das tropas americanas do Afeganistão e do Iraque.

- Raiva turca -

Em Istambul, na segunda e na terça-feiras, o secretário de Estado planeja se reunir apenas com o patriarca Bartolomeu de Constantinopla, líder espiritual da Igreja Ortodoxa, para ratificar "a posição firme" dos Estados Unidos sobre a liberdade religiosa.

As autoridades turcas não esconderam seu aborrecimento com o gesto.

"A liberdade religiosa dos nossos concidadãos de diferentes religiões está protegida", reagiu Ancara.

"Seria mais apropriado que os Estados Unidos se olhassem no espelho e abordassem o racismo, a islamofobia e os crimes de ódio em seu próprio país", completou.

Embora haja muitos temas de atrito entre estes dois países, Pompeo não pretende abordá-los com o governo turco.

Circularam rumores de um possível encontro entre o secretário de Trump e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que também parabenizou Biden por sua vitória.

"Não há reuniões programadas com autoridades turcas", negou o Departamento de Estado na sexta-feira.

Em Jerusalém, Pompeo se reúne com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "amigo" de Donald Trump que também parabenizou Biden e lembrou que tem uma relação "calorosa" com o democrata.

Washington não confirmou, nem negou, a informação, mas Pompeo se tornará, de acordo com vários meios de comunicação, o primeiro secretário de Estado dos EUA a visitar um assentamento no estado hebreu na Cisjordânia ocupada e nas Colinas de Golã.

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