Ponte Rio-Niterói não sofreu abalo na estrutura após colisão, aponta vistoria

Equipes fizeram nova vistoria na ponte Rio-Niterói na manhã desta terça-feira (15) - Foto: Reprodução
Equipes fizeram nova vistoria na ponte Rio-Niterói na manhã desta terça-feira (15) - Foto: Reprodução

Uma vistoria realizada pela concessionária que administra a Ponte Rio-Niterói concluiu nesta manhã que a colisão do navio São Luiz com a via não causou comprometimento na estrutura. A embarcação colidiu com a Ponte no início da noite desta-segunda-feira e fecharam os dois sentidos da via por três horas. Após reabertura parcial ainda na última noite, a situação neste momento é a de pistas totalmente liberadas no sentido Niterói, e apenas uma faixa obstruída no sentido Rio, segundo a Ecoponte.

Os reparos no guarda-corpo da via foram concluídos nesta manhã, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com a Ecoponte, engenheiros contratados para realizar a vistoria utilizaram uma embarcação para avaliar abalos na estrutura e a conclusão foi de que "a colisão do navio não causou comprometimento na estrutura da via".

A PRF informa que a última atualização é de que as obras no guarda-corpo atingido pela embarcação foram concluídas, além de estimar que as pistas estejam totalmente liberadas até o meio-dia deste feriado da Proclamação da República, e que, portanto, isso não deve impactar o trânsito de quem volta de viagem da Região dos Lagos.

A Ponte Rio-Niterói foi reaberta após três horas interditada ainda na noite desta segunda-feira, com apenas duas faixas. Nesta terça-feira, a Ecoponte informa que o sentido Niterói já está totalmente liberado, enquanto o sentido Rio — lado da via atingido pela embarcação — tem apenas uma, das quatro faixas, interditada.

Transtornos foram muitos

A embarcação São Luiz, que colidiu com a Ponte Rio Niterói no fim da tarde desta segunda-feira após ventania, já estava ancorada na Baía de Guanabara há seis anos. Com estrutura metálica bastante enferrujada, foi uma de suas partes mais altas — a torre de combustão — a se chocar com a via, que ficou amassada após o incidente.

Em horário de pico, motoristas que trafegavam pela Ponte Rio-Niterói, antes desta ser interditada, registraram o momento do choque entre a embarcação e a estrutura da via. Um deles chegou a derrubar o celular com que filmava a cena devido ao impacto.

A solução, durante as três horas em que a Ponte esteve fechada, foi contornar a Baía de Guanabara: o motorista que tentou ir para Niterói precisou ir até Magé pela Avenida Brasil, ou pela Linha Vermelha, seguir pela BR-040 até o Hospital Adão Pereira Nunes, entrar na Rio-Teresópolis (BR-116) para, em seguida, acessar a Magé-Manilha.

Outra solução foi fazer a travessia por meio do serviço das Barcas. No entanto, quem foi até a estação localizada na Praça XV, no Centro do Rio, enfrentou filas demoradas e o medo de assalto no local.

Houve também, entre aqueles que estavam no trânsito aguardando a liberação da via para os veículos, que optaram pela travessia a pé pelos 13 quilômetros de Ponte Rio-Niterói.

Problema antigo

O navio, no entanto, não é um caso único na Baía de Guanabara, onde há mais de 100 embarcações adernadas, mas todas em estado tão decrépito que é impossível recuperá-las — como os navios Lintacosul e Bordine, na saída do Canal do Cunha.

Segundo a Secretaria Estadual do Ambiente, é competência da Marinha providenciar a retirada dessas embarcações. As autoridades até tentam, leiloando o corte das embarcações para que empresas de sucata reaproveitem o material. Em 2013, segundo a pasta, um homem arrematou por apenas R$ 680 a retirada de um dos navios que impedem a abertura do terminal pesqueiro, mas ele (Nelson Baptista Ruy, não encontrado pela reportagem) nunca concluiu o serviço. Está longe de ser caso único. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, o Bateau Mouche, que naufragou no réveillon de 1989, causando a morte de 55 das 142 pessoas a bordo, só foi cortado e reaproveitado como sucata no segundo semestre de 2018.