Ponto Cine luta para reabrir as portas: 'Merecíamos mais atenção dos governos', diz idealizador do cinema

O lema do Ponto Cine, sala localizada em uma galeria de Guadalupe, na Zona Norte do Rio, já diz a que veio: “Arroz, feijão e cinema.”

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É assim que se “vende” o cinema como elemento básico para alimentar a alma. Tudo a ver. Só que, no último dia 3 de maio, o espaço completou 16 anos de existência com as portas fechadas. Está assim desde março de 2020, devido à Covid-19. Agora, seu diretor e idealizador, Adailton Medeiros, luta para reabrir a sala dedicada ao cinema brasileiro.

— A pandemia foi se alongando. Com a sala fechada, não conseguimos patrocinador. Acabei tendo que pegar empréstimos. Fiquei com uma dívida e ainda não consegui reabrir — conta Adailton, que iniciou uma vaquinha virtual para tentar viabilizar o retorno.

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A campanha Volta Ponto Cine, que está aberta na plataforma Benfeitoria.com por mais 19 dias, arrecadou só R$ 18 mil dos R$ 150 mil estabelecidos como meta.

Medeiros tem contado com apoio de nomes da cultura, que têm enviado vídeos promovendo a campanha #VoltaPontoCine. Personalidades como Pedro Bial, Felipe Camargo, Rosane Svartman e Juliana Lins, além de colaborarem com a vaquinha, estão entre eles.

— Quando cheguei pela primeira vez àquela galeriazinha em Guadalupe, tomei um susto. Num pequeno espaço dela estava instalado o Ponto Cine, especializado em cinema brasileiro. A partir daquele momento me tornei um frequentador e defensor intransigente de sua existência — diz o cineasta Cacá Diegues. — O Ponto Cine é um exemplo bem-sucedido daquilo que devíamos ter não só Rio afora, como também em todo o Brasil: um clube dedicado ao nosso cinema. Um país sem cinema é um país que não se conhece, um país a que lhe falta um espelho.

Adailton, que descreve o Ponto Cine como “o sonho de uma vida”, continua tentando patrocínios. As conversas com o prefeito Eduardo Paes e com a secretária de Cultura do estado, Danielle Barros, não resultaram em apoios concretos.

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— Esses anos todos, vejo todo mundo falando sobre a importância do Ponto Cine. Aí, numa hora em que precisamos de apoio, penso que merecíamos mais de atenção dos governos — argumenta.

Patrimônio histórico

Ao longo dos 16 anos, o Ponto Cine recebeu mais de 400 mil espectadores e acolheu um público que não estava acostumado a ir ao cinema. Muito menos para ver filmes brasileiros.

—Estou com o condomínio atrasado e com a luz cortada, mas continuo cuidando do cinema. Assim que recebermos uma grana, vamos reabrir — promete Adailton.

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Em 2018, o Ponto Cine ficou fechado oito meses por falta de verba e insegurança. À época, com o apoio do Ministério da Cultura, o espaço passou a abrigar também um curso de extensão gratuito do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), o que facilitou a reabertura. No mesmo período, foi considerado Patrimônio Histórico e Cultural pelo governo do estado.

— O Ponto Cine é um dos cinemas mais importantes do Brasil. Conseguiram algo que parecia impossível, que é pegar um lugar que não tinha muita cultura e colocar um cinema passando apenas filmes brasileiros, e que estava sempre lotado — diz o diretor e produtor Cavi Borges.

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