Pontos-chave para entender a crise política na Itália

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O ex-presidente do BCE (Banco Central Europeu) Mario Draghi no palácio do Quirinal após uma reunião com o presidente italiano, em Roma, em 3 de fevereiro de 2021.

O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), o economista Mario Draghi, aceitou nesta quarta-feira(3) o desafio de formar um governo de "unidade" na Itália.

Se ele conseguir obter a confiança do Parlamento, vai liderar o 67º Executivo italiano após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os governos na Itália tendem a durar pouco mais de um ano, em média.

Os pontos-chave para compreender a crise política italiana seguem abaixo:

- Instabilidade crônica -

Apesar da adoção em 2017 de um sistema de votação misto para as duas casas, a crise atual é resultado da instabilidade crônica dos governos italianos, porque, muitas vezes, já podem contar com a confiança do Parlamento com os votos de uma minoria ou porque a coalizão líder se rompe, um jogo político a que os italianos estão acostumados.

Desde a proclamação da República Italiana em 1946, a Itália teve 29 presidentes do Conselho de Governo, ou seja, primeiros-ministros, e 66 governos, como muitos repetiram.

Giuseppe Conte, uma personalidade independente próxima ao Movimento 5 Estrelas (M5E), primeiro governou uma coalizão do M5E e da Liga de Matteo Salvini de extrema-direita entre junho de 2018 e setembro de 2019.

Ele então formou um segundo governo com o M5E e o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, junto com outras pequenas formações.

- Fundos da UE -

Conte teve de renunciar porque perdeu o apoio fundamental do pequeno partido do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, que criticou o programa de reconstrução da Itália após a pandemia com base nos 222 bilhões de euros (264 bilhões de dólares) que a União Europeia concedeu à Itália no plano de 750 bilhões de euros (mais de 900 bilhões de dólares) adotado em meados de 2020 pelos líderes europeus diante da emergência.

Para Renzi, Conte "esbanjou dinheiro público" com um plano de restituição de impostos e indenizações, em vez de investir e realizar reformas estruturais.

Draghi reconheceu nesta quarta-feira que estes "recursos extraordinários" da UE representam uma grande oportunidade para a Itália e especialmente para as gerações "mais jovens".

- "Super Mario" -

"Super Mario", como Draghi é frequentemente apelidado, é um homem discreto de 73 anos, apreciado por ter salvo a zona do euro em 2012 em meio à crise da dívida e por não pertencer a nenhuma corrente política.

Em oito anos sob o comando de Draghi, o Banco Central Europeu tomou medidas inimagináveis e até decidiu injetar liquidez por meio de compras maciças de ativos no mercado e empréstimos gigantescos a bancos para salvar a zona do euro.

- E agora? -

O primeiro desafio para Draghi é conseguir a maioria no parlamento, onde reina a desconfiança em relação a um líder "técnico", explicou o cientista político Wolfgango Piccoli do gabinete de Teneo.

Draghi, cujo método de trabalho é "rápido e decisivo", resumiu nesta quarta-feira alguns dos desafios que deverá enfrentar diante das três emergências no país: saúde, econômica e social.

"Vencer a pandemia, dar continuidade à campanha de vacinação (...) e reativar o país", disse.

A Itália, com mais de 89.000 mortes desde o início da pandemia, registrou uma das piores quedas do PIB na zona do euro em 2020: -8,9%.

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