Popularização de canoas havaianas imprime nova vocação à Praia de Charitas

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NITERÓI — A popularização da canoa havaiana é visível nas praias de Niterói, que concentram um terço do total de 70 clubes voltados ao esporte no estado. E Charitas tem se mostrado o local preferido para os praticantes da modalidade: já são 13 bases de clubes de va’a instaladas na areia. Durante a pandemia, alguns deles se associaram a quiosques. A proliferação das canoas está mudando o cenário da praia e tem atraído um novo perfil de frequentador.

O principal motivo que faz de Charitas a preferida dos praticantes de canoa havaiana são as condições da praia, pacata, com águas limpas na maioria dos dias. Junto com o movimento das canoas havaianas, muita gente passou a pedalar, praticar exercícios físicos ou ir até a praia simplesmente para ver o pôr do sol, o que levou alguns quiosques a começarem a oferecer sucos e alimentação natural.

O primeiro clube que se instalou em Charitas, em 2008, foi o Mauna Loa. Em seguida vieram o Hoa Aloha e o Niterói Hoe, fundado por Hélio Teixeira. Ele estima que atualmente apenas o va’a atraia uma média de 400 pessoas diariamente para o local.

— Charitas sempre foi muito usada para práticas esportivas, mas durante um tempo foi deixada de lado. O pessoal do futevôlei do aeroclube, por exemplo, joga ali há anos. Mas também tem o pessoal do circuito funcional, do beach tênis. Esse movimento fez com que quiosques que só funcionavam nos fins de semana e feriados passassem a abrir todos os dias — diz Teixeira.

Presidente da Federação de Canoa Havaiana do Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Esquilo diz que o crescimento do número de praticantes da atividade foi impulsionado pela pandemia, que fez com que muita gente procurasse atividades físicas ao ar livre. A localização de Charitas e as condições do mar, consideradas perfeitas para a prática, de acordo com ele, tornaram ainda mais evidente a vocação do local.

— Niterói é hoje certamente o local com mais praticantes de canoa havaiana do Brasil e possivelmente da América Latina. As pessoas têm buscado o va’a como uma alternativa ao fitness, à atividade física nas academias. Durante a pandemia, falou-se muito da importância das atividades físicas como uma proteção para o corpo, e o ambiente externo se mostrou bem menos insalubre. A gente já tem a cultura da praia, e a canoa havaiana permite a prática do exercício e o contato com o mar por um custo menor do que alugar uma lancha para navegar, por exemplo. Isso tem feito as pessoas preferirem remar, duas ou três vezes na semana, a frequentar academias — compara.

Durante a pandemia, há seis meses, o clube Tribo Hoe se associou a um dos quiosques da praia e se mudou de São Francisco para Charitas, em busca de melhor estrutura e de águas mais limpas. Marcus Nery, à frente do clube, diz que o esporte além de tudo é democrático:

— Atualmente, três cadeirantes fazem aula no clube. Temos também um deficiente auditivo com quem fazemos uma remada adaptada com sinais, já que os comandos normalmente são por voz. A canoa havaina é para todo mundo.

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