Por austeridade, Brasil vota contra resolução de direitos humanos na ONU

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PATRÍCIA CAMPOS MELLO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil votou contra uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) que trata dos impactos da dívida externa e de obrigações financeiras nos direitos humanos.

É a primeira vez que o Brasil vota contra essa resolução (votou a favor em 2008, 2011 e 2014). O voto ocorre três meses depois de um relator da ONU ter criticado duramente a PEC do teto de gastos do governo Temer.

Ao explicar o voto contra a resolução, representante do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, defendeu longamente as políticas de austeridade propostas pelo governo Temer.

"A resolução é contrária aos principais elementos da política econômica atual no Brasil, particularmente nossos esforços para retomar equilíbrio e fiscal e, dessa maneira, preservar as políticas sociais do país."

Segundo ela, a resolução deixa de reconhecer que "programas de reforma estrutural são compatíveis com uma melhora nos serviços sociais".

Apesar do voto contrário brasileiro, que se alinhou aos países do norte geopolítico, a resolução foi aprovada com 31 votos a favor e 16 contra.

"Foi uma tentativa fracassada do Brasil de eliminar a capacidade da ONU de monitorar os efeitos de reformas econômicas e fiscais sobre os direitos humanos", disse Camila Asano, coordenadora de política externa da Conectas.