Por caminhos diferentes, Holanda e Itália sonham em superar fracassos e ir à Copa do Qatar

Bruno Marinho
·3 minuto de leitura

Duas das principais camisas da história do futebol só torcem para que os piores dias tenham ficado para trás. Depois de amargarem a ausência da Copa do Mundo da Rússia, Holanda e Itália iniciaram a caminhada nas Eliminatórias para o Mundial do Qatar com ânimos renovados, ainda que por motivos diferentes.

Nesta terça-feira, às 15h45 (de Brasília), a Laranja Mecânica enfrentará a seleção de Gibraltar pela terceira rodada do Grupo G. Ela vem de uma vitória sobre a Letônia por 2 a 0, mas antes, na primeira rodada, perdeu para a Turquia por 4 a 2. Um retrato da irregularidade que marca os resultados da seleção depois da pandemia. A instabilidade, afirma o repórter Rypke Bakker, do site “NU.nl”, coincide com a saída de Ronald Koeman do comando da seleção para ir treinar o Barcelona. Ainda assim, a expectativa é boa.

— Temos uma geração que cresceu e que tem mostrado talento. Acreditamos nesse novo momento do futebol do país. O Ajax conseguiu bons resultados na Europa, e quando terminamos a Liga das Nações em segundo, pensamos: ‘bem, voltamos a brigar no topo’ — diz Bakker.

Desde o fracasso, em 2017, até agora, muita coisa mudou em termos de nomes. A campanha nas Eliminatórias passadas decretou o fim da geração formada por Robben, Van Persie e Sneijder, responsável pelo vice-campeonato mundial em 2010 e pelo terceiro lugar na Copa de 2014. Nomes apenas promissores quatro anos atrás se firmaram como referências, como o atacante Depay, o meia Wijnaldum e, principalmente, o zagueiro Van Dijk. Juntou-se ao trio jovens em ascensão, como o meia De Jong e o zagueiro De Ligt e assim os holandeses formaram uma espinha dorsal.

O desempenho deles na Euro deste ano poderá servir de termômetro para o mundo do futebol acreditar ou não nesta retomada dos três vezes vice-campeões mundiais.

'Mancini faz mágica'

Maior decepção que a Holanda foi a Itália, tetracampeã do mundo, ficar fora da Copa da Rússia. O resultado gerou reflexões dentro do país sobre o que teria causado tamanho fracasso, semelhante ao 7 a 1 para o futebol brasileiro.

Muitos apontaram uma falha na formação de novos jogadores como motivo para a decadência e cobraram da federação italiana mudanças estruturais na base.

Entretanto, a transformação, ao menos momentânea, veio pelas mãos de um único homem. Roberto Mancini, desde meados de 2018 à frente da Azzurra, é apontado pelo jornalista Carlo Pizzigoni, do canal Sky Italia, como o grande responsável pela guinada.

Segundo Pizzigoni, a equipe nacional voltou a ser querida pelos torcedores italianos pelo jogo agradável de se ver. O tradicional estilo de jogo defensivo foi deixado de lado e a seleção da Itália passou a jogar agredindo mais os adversários.

— Em termos de talentos, não temos jogadores com a mesma qualidade que França, Alemanha ou Bélgica, mas o time agora funciona coletivamente. Mancini transformou a seleção como num passe de mágica — analisa Pizzigoni.

Segundo ele, a maior dificuldade do treinador é encontrar um camisa 9 à altura das tradições do país, saudoso dos tempos de Vieri e Inzaghi. A falta de goleadores mais qualificados é o que impede resultados mais expressivos. Ainda assim, isso não foi obstáculo para duas vitórias nas duas primeiras rodadas, ambas por 2 a 0, sobre Irlanda do Norte e Bulgária. A próxima partida será quarta-feira, contra a Lituânia.