Por coronavírus, Mandetta quer acesso a dados de clientes de empresas de telecomunicação

André de Souza, Gustavo Maia, Leandro Prazeres e Renata Mariz
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendeu a flexibilização da proteção de dados dos clientes das empresas de telecomunicação para poder enfrentar com mais agilidade a epidemia do novo coronavírus, que já matou 240 pessoas e infectou 6.836 no país. Há uma lei que garante a proteção desses dados e as empresas telefônicas estão relutantes em informá-los.

— Eu chamo para uma pessoa, é um serviço automatizado, identifico que aquela pessoa tem necessidade. E para eu avisar a Secretaria de Saúde, avisar o departamento de saúde "essa pessoa mora na rua tal, endereço tal", a gente busca pelo número de telefone a base de cadastro onde tem essa informação e remete para a Secretaria de Saúde — explicou Mandetta.

Em seguida, defendeu:

— Eu peço aqui para as telefônicas que disponibilizem isso. Se houver necessidade de nós regulamentarmos que, em caso de epidemia, como estamos vivendo, isso passa a ser público, porque não tem outro jeito de localizar tão rápido. Se eu for pedir onde a senhora mora, qual o número da sua casa, do seu CEP... Pelo número do telefone, eu caio no endereço onde ele está registrado. Podemos ter erro para cá, para lá? Podemos, mas já teríamos o dado do nome da pessoa, do CPF. Precisamos dar agilidade para esse profissional.

Mandetta também informou que o ministério vai pagar o transporte e a hospedagem de profissionais de saúde voluntários que moram num local sem casos do novo coronavírus para poderem atua em outro onde a epidemia está mais avançada. Segundo ele, o cadastro para adesão de voluntários está aberto há 20 dias e já atraiu 3 mil pessoas. Essas pessoas vão trabalhar ajudando a Força Nacional de Emergência do SUS.

— A epidemia pode estar muito forte em São Paulo, e posso ter pessoas habilitadas num estado que não esteja tendo. Nós vamos organizar para mandar, buscar, trazer, hospedar, pagar, que é uma turma que vai fazer eventualmente reforço para cá, para lá para ver se a gente consegue ter uma resposta mais articulada. Só de abrir sem divulgar já temos esse cadastro aberto há 20 dias, já temos 3 mil pessoas que são pessoas: tô bem, tô tranquilo, posso ir — afirmou Mandetta.

O ministro também disse que os 500 mil testes rápidos adquiridos pela pasta e destinados aos profissionais de saúde começaram a ser distribuídos nesta quarta-feira por meio da Força Aérea Brasileira (FAB).