Por dados falsos na CPI, Heinze será denunciado ao Conselho de Ética do Senado

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Senador Luiz Carlos Heinze (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)
Senador Luiz Carlos Heinze (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)
  • Senador Alessandro Vieira informa que entrará no Conselho de Ética contra senador Heinze por divulgação de notícias falsas

  • Senador governista Luiz Carlos Heinze é defensor do chamado 'tratamento precoce' da covid, com uso da cloroquina - medicamento sem eficácia contra a doença

  • "Não se deve tolerar a diária tentativa de transformar a CPI em mais um canal de desinformação dos brasileiros", diz Vieira

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) anunciou, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, nesta terça-feira (8), que vai entrar com uma representação no Conselho de Ética contra o senador governista Luiz Carlos Heinze (PP-RS) pela divulgação de informações falsas durante suas falas na comissão.

"Não se deve tolerar a diária tentativa de transformar a CPI em mais um canal de desinformação dos brasileiros. Já são 474.614 mortos", afirmou Vieira.

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Na representação, o senador Alessandro Vieira informa que seu colega Luis Carlos Heinze "tem utilizado de forma indevida" seu espaço na CPI, "para divulgar informações falsas, manipulando dados e fatos a fim de defender suas crenças ideológicas". Ainda segundo o texto, "o processo de desinformação desencadeado" por Heinze "tem implicações nefastas diante da grande repercussão da CPI no país". 

"O desserviço prestado pelo senador durante suas falas, aproveitando-se da prerrogativa de sua posição política para disseminar desinformação, tem o potencial de aumentar a crise de saúde pública no país", insiste a representação, lembrando que ele sequer possui formação médica. 

"Mesmo diante de tantas e reiteradas advertências, o senador Heinze tem continuado a ser o porta-voz de gravíssimas desinformações", diz o documento. "As intervenções do senador Heinze na Comissão não foram realizadas para emissão de meras opiniões políticas, mas sim para fazer circular nocivas e reiteradas desinformações, colocando em risco a saúde da população brasileira", acrescenta.

O requerimento aponta entre as falácias de Heinze:

  • Divulgação de supostos estudos científicos recomendando o tratamento precoce contra a Covid-19, incluindo o uso de fármacos reconhecidamente ineficazes, como hidroxicloroquina e ivermectina. 

  • Exposição de estudos desatualizados, incompletos e metodologicamente contraditórios fazendo crer que existe qualquer evidência científica favorável ao uso da cloroquina e outros tratamentos precoces "a respeito dos quais levianamente advoga a favor". O senador Alessandro cita as sessões em que isso foi feito.

  • Referências ao estudo do infectologista David Boulware, da Universidade do Minnesota, nos EUA, como se houvesse resultados positivos. "Cabe colacionar os estudos do pesquisador em que não foram demonstrados quaisquer efeitos do medicamento contra a doença."

  • Mencionou *protocolos internacionais sobre uso da cloroquina e hidroxicloroquina ao redor do mundo*, ignorando que países como França e Itália também proíbem o uso do medicamento e a Bélgica alerta contra a droga. O protocolo é utilizado em poucos países e sem pesquisas sistemáticas para o aferimento do seu impacto.

Heinze é defensor do chamado “tratamento precoce” com medicamentos como a cloroquina, droga comprovadamente ineficaz contra a covid.

Didier Raoult

Nas redes sociais, Heinze já virou motivo de chacota pelas fake news divulgadas. Em quase todas as sessões da CPI da Covid no Senado, quando Luiz Carlos Heinze tem a palavra, por exemplo, o senador menciona o microbiologista Didier Raoult, que fez um suposto estudo provando que a hidroxicloroquina seria eficaz contra a covid-19.

Durante o depoimento da infectologista Luana Araújo, Heinze voltou a utilizar o argumento. A médica, então, perguntou se o senador tinha conhecimento sobre o “prêmio” Rusty Razor, cujo vencedor em 2020 foi justamente Didier Raoult. Heize disse desconhecer.

O “prêmio” Rusty Razor, criado pela revista britânica “The Skeptic”, é uma sátira. O vencedor é considerado o pior promotor da pseudociência. Ou seja, o “prêmio” é dedicado a pessoas que propagam a desinformação – como é o caso do francês, que alegou ter provado a eficácia da cloroquina contra a covid-19.

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