Por falta de documentação, modelo ucraniana perde desfile no SPFW

A modelo ucraniana Vika Bilienko, de 20 anos, esperava um desfecho diferente para a tarde desta quarta-feira. A jovem almejava fazer sua primeira aparição na São Paulo Fashion Week, evento de moda que durará até o final desta semana, na capital paulista, mas foi impedida de alcançar a passarela na apresentação do Projeto Ponto Firme por não contar com visto de trabalho — somente de imigrante.

Vika, vale dizer, apesar de ser ucraniana não está no país como refugiada, mas com visto comum de entrada no Brasil. O impedimento de que fosse ao desfile ocorreu poucos momentos antes da hora marcada para o show. No momento em que soube que não ia desfilar, Vika já estava com a maquiagem do desfile feita, contou à ELA, com exclusividade. “Não estou entendendo muito bem o que ocorreu”, lamentou.

A jovem conta que está no Brasil há pouco mais de um mês e diz que deixou a Ucrânia em meio a bombardeios em sua cidade natal, Kharkiv. O pai ainda segue lá, diferente da mãe que partiu para a Polônia. A modelo diz que consegue manter contato com ambos e, aliviada, afirma que estão bem e a salvo. Aqui no Brasil, ela conta que vive na região da Vila Mariana e, de todas as opções na cidade, gosta mesmo de dar passeios no Parque da Aclimação, próximo ao seu apartamento, onde se sente mais segura.

A agência responsável pela jovem é a espanhola Tree Models, recentemente instalada no Brasil. Seu represantante, Will Pissinini, produtor da agência, afirma que Vika — ao lado de quatro outras modelos ucranianas — chegaram ao Brasil com uma estratégia pensada: gerar imagem. Isto é, estrelar campanhas profissionais e assim organizar um portfólio para exibir internacionalmente. Das cinco, três Lera Dmitrenko, Angelina Lisuk e Anna Yuzrna, ele diz, farão trabalhos no México, duas delas, inclusive, viajaram entre ontem e hoje, a terceira parte amanhã. Ficam no Brasil somente Vika e Dasha Rosko -– o futuro delas, contudo, ainda é incerto, diz Pissinini, será preciso avaliar se terão um destino mais promissor na América Central ou Europa.

Medo da cidade

Embora classifique São Paulo como uma metrópole “muito bonita”, Vika confessa ter certo medo de andar pela cidade, por conta de casos de violência. “Ainda não sei exatamente quais lugares são perigosos e quais não. É um lugar muito diferente da Ucrânia”, afirma.

Neste momento, Vika mantém estudos para formar-se advogada. As suas aulas para concluir a faculdade mantém-se de maneira online, mesmo no período de guerra, ela diz. Quando questionada sobre qual lugar do mundo gostaria de estar e trabalhar, ela diz, que somente na Ucrânia.

“Minhas emoções não são boas neste momento. Eu sigo vendo as notícias e vejo, diariamente, as pessoas perdendo suas casas, inclusive em minha cidade”, lamenta. Ela lembra que estava em casa quando a guerra começou. Naquela madrugada, ouviu barulhos de bombas e prontamente perguntou à mãe o que ocorria. “Ela me disse que era a guerra”.

Sobre o futuro, a jovem diz que é impossível traçar uma meta ambiciosa neste momento. “Não tenho planos. Não sei exatamente o que posso fazer neste momento”, diz. “Claro que fico feliz de estar no Brasil, é ótimo, mas minha vida estava na Ucrânia”.

O que diz a SPFW

A São Paulo Fashion Week explicou que, embora não seja responsável pela contratação das modelos, mantém um departamento de checagem de todas as documentações. Em todas as edições, diz a semana de moda, são constatados problemas com documentações, como autorizações de menores de idades e relacionados. Quando questões assim são localizadas, as marcas que farão desfiles são acionadas sobre o problema, para resolvê-lo. Entre os itens de liberação, há o visto de trabalho, o que Vika não tem. Diz a SPFW que mesmo as grandes modelos internacionais que já passaram pelo show, caso de Naomi Campbell, precisam mostra-lo para alcançar alguma passarela.

O Projeto Ponto Firme, por sua vez, não quis comentar o caso.

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