Por que a intervenção de Bolsonaro na Petrobras indica ‘derrota’ de Guedes

Marcus Couto
·2 minuto de leitura
Bolsonaro e Paulo Guedes. (Foto: AP Foto/Eraldo Peres)
Bolsonaro e Paulo Guedes. (Foto: AP Foto/Eraldo Peres)

O mercado brasileiro passou uma segunda-feira de tensão, com a intervenção de Bolsonaro na presidência da Petrobras. Com a demissão de Roberto Castello Branco, em meio a uma sequência de altas no valor dos combustíveis, Bolsonaro mandou um sinal claro para os investidores: ele está disposto a colocar a mão no mercado para defender sua popularidade.

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Analistas imediatamente viram isso como talvez o indicativo mais forte até agora da “derrota” do ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua agenda liberal, que advoga pelo exato oposto: intervenção mínima do estado na economia.

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A ação de Bolsonaro é algo como um filme de terror para os liberais e investidores, e por isso as ações da petroleira desabaram na bolsa de valores.

Guedes já vinha em baixa, com dificuldades de emplacar sua agenda liberal e privatizante, ao ponto de ver aliados desembarcarem ao longo do ano passado, como o ex-secretário da economia Salim Mattar, que tinha como responsabilidade acelerar o projeto de venda de empresas estatais. Mattar saiu em agosto, argumentando inviabilidade de executar seu trabalho.

Ele foi um dos primeiros a comentar a crise da Petrobras da perspectiva da situação do ministro Paulo Guedes, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo:

"O ministro Guedes é resiliente, obstinado e determinado, mas não percebeu que foi vencido", disse Mattar.

Mas não foi apenas o ex-secretário que fez a mesma avaliação. Observadores do mercado decretaram um “cair de máscara” da suposta agenda liberal de Bolsonaro.

O investidor Lawrence Pih, em entrevista à Folha de S.Paulo, foi até mais longe, prevendo uma demissão de Guedes.

"Bolsonaro, quando candidato, vendeu a imagem de pró-mercado, pró-capitalismo e antiestatizante. Os incautos, agora, o enxergam sem maquiagem: estatizante, anti-capitalismo, anti-economia de mercado, socialista, populista, autoritário e uma ameaça à democracia. Receio pelo futuro do nosso país", disse.

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