Por que as empresas só lembram das pessoas LGBT+ em junho?

LGBT, pride, rainbow flag as a symbol of lesbian, gay, bisexual, transgender, and queer pride and LGBTQ social movements in June month
Estratégia de arrecadar dinheiro com campanhas LGBTQIAP+ é conhecida popularmente como "Pink Money" (Getty Image)
  • No mês do Orgulho LGBTQIA+ as corporações fazem campanhas e ações

  • Durante o resto do ano, as pautas são esquecidas pelas companhias

  • O mercado da representatividade move bilhões de reais todos os anos

Todo mês de junho as redes sociais ganham as cores do arco-íris. As empresas criam ações voltadas para a diversidade e a mídia pauta matérias sobre a vivência de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. Usando como gancho a revolta de Stonewall, as organizações fazem propagandas para conquistar espaço entre um nicho de consumidores preocupados com a representatividade.

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Para as companhias que visam lucro, a estratégia é certeira. Apenas em 2020, a estimativa de poder de compra do público LGBTQIA+ era de quase R$ 420 bilhões, segundo dados da consultoria norte-americana Out Leadership. Na Europa, o valor chegava a US$ 873 bilhões, enquanto nos EUA alcançava até US$ 760 bilhões.

Investimento diminui em datas segmentadas

Em agosto, mês marcado pela celebração da Visibilidade Lésbica, a frequência dos eventos e ações corporativas diminuem. Ana Claudino, 30 anos, pesquisadora e produtora de conteúdo, conta que o investimento corporativo acontece majoritariamente no mês da Parada LGBTQIA+.

“Normalmente, os eventos com cachê acontecem mais em junho. Em agosto a maioria dos convites é sem cachê por falta de verba de quem está convidando”, explica Ana. "É preciso pensar que a sigla LBGTQIA+ é uma sigla plural, cada letra tem suas particularidades e enfrentamentos", explica.

Na área cultural, a efeméride feminina também é ignorada por grandes corporações. “Já fui convidada para eventos e atividades tanto em junho quanto em agosto, mas sinto que as programações se concentram bem mais no mês do orgulho LGBTQIAP+”, afirma Isabela Lisboa, 28 anos, atriz, jornalista e criadora da Lesbicult, página voltada para a divulgação de conteúdos artísticos criados para lésbicas e bissexuais.

Isabela acredita que o mês do orgulho tem uma visibilidade maior por englobar todos os gêneros e sexualidades. “Os meses específicos, como o agosto lésbico e o janeiro trans, ainda têm uma baixa adesão no sentido de apoios e ações de marketing. Acaba que as pautas de cada grupo são levantadas apenas por nós mesmas e não repercutem tanto”, explica.

Representatividade no meio corporativo ainda é um desafio

Para Isabela Lisboa, o discurso empresarial precisa evoluir para além das propagandas realizadas em datas comemorativas. “É essencial que o discurso avance e se transforme em ação. Toda vez que vejo o arco-íris na propaganda de um produto, eu penso: quantas sapatonas 'caminhoneiras' trabalham nessa empresa? Quantos homens e mulheres trans ela emprega?”.

Segundo o estudo Getting to Equal, apenas um terço dos empregados LGBTQIA+ revelam a identidade de gênero ou orientação sexual no mercado de trabalho. Entre os líderes das corporações, o número cai para 21%.

Mais da metade dos entrevistados de 26 países acreditam que questões de gênero e sexualidade podem prejudicar na progressão de cargos.

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