Por que Beyoncé estar em primeiro lugar nas paradas é tão importante

Beyoncé (Foto: Getty Images)
Beyoncé (Foto: Getty Images)

Ela (ainda) é a indústria! Com o single “Break My Soul” e o álbum “Renaissance”, Beyoncé voltou ao topo dos principais charts musicais dos Estados Unidos (Hot 100 e Hot 200, da Billboard) nesta segunda-feira (8). Mas, mais do que ser um baita motivo de comemoração para a cantora e quem a admira (como não amá-la?), esse feito é um marco — e, com sorte, o início de outra era — no entretenimento.

Nossa Queen B já passou dos 40 anos e tem, até o momento, três filhos. Em um mercado que cobra de maneira implacável que as mulheres sejam — ou pareçam — eternamente jovens e as julga com muito mais rigor após a maternidade, é extremamente simbólico e animador vê-la nessa posição.

Em 2016, ao ser anunciada como “Mulher do Ano” em uma premiação promovida pela Billboard, Madonna, uma das maiores vítimas desse sistema, fez um necessário discurso sobre machismo e etarismo. “Se você é mulher, envelhecer é considerado um pecado. Você vai ser criticada, humilhada e definitivamente não tocará nas rádios”, declarou a Rainha do pop em um trecho do texto.

Sequer precisamos ir longe para mais exemplos. Anitta, maior cantora pop brasileira da atualidade, já declarou que além do desejo de ser mãe e se dedicar à família, planeja se aposentar por volta dos 30 anos por acreditar que, depois dessa idade, as portas começam a se fechar. De fato, Kelly Key, Wanessa Camargo e outras artistas da cena nacional viram o alcance do trabalho cair drasticamente com o passar o tempo.

O mesmo acontece na dramaturgia. Em entrevista ao “PodDelas”, podcast apresentado por Boo Unzueta e Tatá Estaniecki, Juliana Paes relembrou que, ao ser escalada como Gabriela na série inspirada no romance escrito por Jorge Amado, alguns a acharam “velha demais” para o papel. “Eu tinha 30 ou 31 anos, já era mãe, e esses comentários me deixaram insegura. [...] Tive que fazer um trabalho interno muito intenso até o momento em que decidi que não me deixaria abalar e faria o meu melhor para surpreender o público e mostrar que não tem essa coisa de idade para a atriz”, disse.

Por esses e tantos outros casos, a conquista de Beyoncé merece destaque e, principalmente, não deve ser um fato isolado. Se escutarmos e apoiarmos mais mulheres 40+ como fazemos com as mais novas, elas terão mais motivos para continuar trabalhando — e, acredite, todas ainda têm muito a entregar!