Por que cidades brasileiras estão mais baratas para estrangeiros

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Uma vista aérea de Ashgabat no Turcomenistão
A economia do Turcomenistão tem lutado para se recuperar de uma longa crise econômica

A capital do Turcomenistão, na Ásia Central, foi considerada a cidade mais cara do mundo para trabalhadores estrangeiros. Ashgabat, uma cidade com cerca de um milhão de habitantes, liderou uma pesquisa de custo de vida feita em 2021 pela empresa de consultoria Mercer.

A classificação coloca Ashgabat acima da cidade mais cara do ano passado, Hong Kong, que ficou em segundo lugar neste ano, seguida por Beirute, no Líbano, e Tóquio, no Japão.

O relatório anual classifica 209 cidades com base no custo de despesas como moradia, transporte e alimentação.

Apenas três cidades brasileiras — São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília — aparecem no ranking, mas todas estão na parte inferior da lista, o que sugere que são relativamente baratas para trabalhadores estrangeiros viverem (confira no fim desta reportagem alguns destaques do ranking).

Diferentes estudos e consultorias chegam a resultados variados. No final do ano passado, a Economist Intelligence Unit sugeriu que as três cidades mais caras do mundo eram Zurique, Paris e Hong Kong.

A Mercer disse que avaliou mais de 200 bens e serviços para o relatório, que visa ajudar empresas e governos em todo o mundo a determinar quanto devem pagar aos funcionários expatriados (pessoas que vivem ou trabalham fora de seus países de origem).

A maioria das cidades no topo do ranking são centros de negócios onde o crescimento econômico levou a um aumento no preço da habitação e outros custos de vida. Mas Ashgabat deve sua alta classificação a problemas econômicos e não à prosperidade, o que a torna um caso isolado.

Como ficaram as cidades brasileiras?

Apenas três cidades brasileiras aparecem no ranking da Mercer. E todas elas caíram na lista neste ano. Ou seja, as cidades brasileiras se tornaram mais baratas para trabalhadores estrangeiros em 2021.

Mesmo antes da queda, as cidades brasileiras já apareciam como lugares relativamente baratos para trabalhadores estrangeiros, ficando de fora até mesmo do top 100.

A mais cara é São Paulo, que ocupa a 177ª posição. Ainda assim, a cidade caiu 47 lugares no ranking.

O Rio de Janeiro é a 191ª cidade mais cara do mundo para trabalhadores estrangeiros, tendo caído 31 posições.

Brasília, que no ano passado era a 190ª mais cara do mundo, neste ano aparece como 205ª, uma queda de 15 posições. A capital federal é sexta mais barata do mundo para trabalhadores estrangeiros, atrás apenas de Bishkek, no Quirguistão (a mais barata), Lusaka (na Zâmbia), Tbilisi (na Geórgia) e Túnis (na Tunísia).

O real desvalorizado é um dos fatores que contribuem para deixar o país mais barato para estrangeiros.

Os números para as comparações de custo de vida e aluguel de acomodação da Mercer foram compilados a partir de uma pesquisa realizada em março de 2021, usando taxas de câmbio e preços de uma cesta internacional de bens e serviços daquela época.

Em março, o dólar estava na cotação mais alta do ano no Brasil — e uma das mais altas de toda pandemia — próximo de R$ 5,87, tornando o país relativamente barato para estrangeiros.

Cidades da América Latina não aparecem entre as mais caras para trabalhadores estrangeiros. A mais cara delas, Port of Spain (em Trinidad e Tobago), é apenas a 91ª no ranking.

Por que Ashgabat está no topo da lista?

Jean-Philippe Sarra, da Mercer, disse à agência de notícias AFP que "a alta inflação local" explicava a ascensão de Ashgabat de segundo na pesquisa do ano passado. A inflação é a taxa de aumento dos preços de bens e serviços ao longo do tempo.

Conhecido por seu governo autoritário e grandes reservas de gás, o Turcomenistão enfrenta uma crise econômica de longa data que deixou muitos cidadãos na pobreza.

Anteriormente parte da União Soviética, o país é altamente dependente das exportações de gás natural para a Rússia. Diante disso, a turbulência econômica do Turcomenistão foi impulsionada, em parte, pelos baixos preços do gás.

A queda global dos preços da energia em 2014 elevou a inflação e os preços dos alimentos.

Em setembro do ano passado, um relatório da Human Rights Watch (HRW) disse que a pandemia de Covid-19 havia "exacerbado drasticamente a crise alimentar pré-existente do Turcomenistão".

"A escassez de alimentos subsidiados, acelerando desde 2016, piorou, com as pessoas esperando horas na fila para tentar comprar produtos alimentícios mais baratos, muitas vezes saindo de mãos vazias", disse o relatório.

Apesar disso, o governo do Turcomenistão iniciou uma grande expansão de Ashgabat em maio. O presidente de longa data, Gurbanguly Berdymukhamedov, prometeu transformar a capital em "uma das cidades mais prósperas do mundo".

Como foram as demais cidades no ranking?

A capital do Líbano, Beirute, teve grande ascensão, saltando da 45ª posição no ano anterior para 3ª na pesquisa de 2021.

A consultoria Mercer atribuiu isso a uma série de fatores, incluindo a "turbulência política" dos últimos anos e a "severa e extensa depressão econômica".

"A pandemia de covid-19 e a explosão do Porto de Beirute [em 2020] amplificaram os efeitos econômicos, causando uma inflação recorde", disse Mercer.

Zurique
Zurique é um centro global de bancos e finanças

Três cidades suíças ficaram entre as dez primeiras, incluindo Zurique, que caiu para a quinta posição.

Das cidades chinesas mais caras, Xangai subiu uma posição para a sexta colocação, enquanto a capital, Pequim, subiu para a nona posição.

Cingapura, uma cidade-estado-ilha conhecida por seu florescente setor financeiro, ficou em sétimo lugar.

A view of Shanghai
Shanghai's landscape is dotted with skyscrapers

Londres ficou em 18º lugar, subindo uma posição em relação ao número 19 no ano passado.

No final da lista, a capital do Quirguistão, Bishkek, foi classificada como a cidade mais barata para funcionários estrangeiros pela pesquisa.

Confira alguns destaques da lista:

1. Ashgabat - Turcomenistão (subiu 1 lugar)

2. Hong Kong - China (caiu 1 lugar)

3. Beirute - Líbano (subiu 42 lugares)

4. Tóquio - Japão (caiu 1 lugar)

5. Zurique - Suíça (caiu 1 lugar)

6. Xangai - China (subiu 1 lugar)

7. Cingapura (caiu 2 lugares)

8. Geneva - Suíça (subiu 1 lugar)

9. Pequim - China (subiu 1 lugar)

10. Berna - Suíça (caiu 2 lugares)

14. Nova York - EUA (caiu 8 lugares)

18. Londres - Reino Unido (subiu 1 lugar)

33. Paris - França (subiu 17 lugares)

47. Roma - Itália (subiu 18 lugares)

60. Berlim - Alemanha (subiu 22 lugares)

62. Moscou - Rússia (caiu 41 lugares)

78. Mumbai - Índia (caiu 18 lugares)

83. Lisboa - Portugal (subiu 23 lugares)

91. Port of Spain - Trinidad e Tobago (primeira cidade latino-americana a aparecer no ranking - caiu 18 lugares)

108. Santiago - Chile (subiu 26 lugares)

132. Montevideo - Uruguai (caiu 44 lugares)

134. Havana - Cuba (caiu 11 lugares)

150. Lima - Peru (caiu 38 lugares)

152. Cidade do México - México (caiu 32 lugares)

168. Buenos Aires - Argentina (caiu 15 lugares)

177. São Paulo (caiu 47 lugares)

180. Bogotá - Colômbia (subiu 1 lugar)

187. Assunção - Paraguai (subiu 1 lugar)

189. La Paz - Bolívia (subiu 4 lugares)

191. Rio de Janeiro (caiu 31 lugares)

205. Brasília (caiu 15 lugares)

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