Por que cidades ortodoxas são as mais infectadas pelo coronavírus em Israel?

Policial israelense detém homem ultraortodoxo durante reza em Bnei Brak. Homem descumpria ordens do governo israelense de quarentena (Foto: AP Photo/Ariel Schalit)

Israel já registra mais de 6 mil casos confirmados de coronavírus. Só em Bnei Brak, no subúrbio de Tel Aviv, onde vivem 200 mil pessoas, o número de infectados ultrapassa os 900. Jerusalém, até a última quarta-feira, tinha cerca de 700 casos.

E nos siga no Google News:

Yahoo Notícias | Yahoo Finanças | Yahoo Esportes | Yahoo Vida e Estilo

O que as cidades têm em comum? Grande população ultraortodoxa.

Nesta quinta-feira, os ministros do Interior, Arye Dery, e Defesa, Naftali Bennett, determinaram que moradores de Bnei Brak de mais de 80 anos sejam tirados da cidade. São mais de 4 mil pessoas que serão deslocadas para hotéis. Segundo o jornal israelense YNet, o objetivo é proteger os idosos do rápido contágio na cidade.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

O motivo para a infecção dos ultraortodoxos é que muitos não seguiram as orientações da Organização Mundial da Saúde e mesmo do governo israelense. Comunidades continuaram a comemorar festas judaicas, celebrar casamento e fazer enterros. As yeshivot, escolas religiosas, fecharam depois de todas as outras instituições de ensino.

Tays, brasileira que vive em Israel, afirma que esses grupos não desrespeitam as medidas só por serem inconsequente ou não se importarem com os outros, mas por não terem informações. É comum que ultraortodoxos não tenham smartphones ou computadores.

“Quem não está obedecendo as regras é por não ter internet ou televisão em casa. As informações que eles recebem são pela comunidade, é o único jeito que eles têm de receber informações do mundo”, explica. “Os líderes das comunidades ortodoxas dizem que não se pode culpar as pessoas, é preciso fazer mais esforço para que as informações cheguem a eles.”

Outro ponto que Tays levanta é a força da tradição: para esses grupos é pior deixar de estudar o antigo testamento e rezar do que pegar a doença.

A mídia israelense passou a noticiar esse tipo de ocorrência e, há uma semana, o cenário melhorou. No entanto, as consequências são notadas nos números. Bnei Brak e Jeruasalém estão entre as cidades mais afetadas. Tel Aviv, onde há menos ortodoxos, tem cerca de 300 casos.

Leia também

A brasileira afirma que a grande crítica dos israelenses se deve a sobrecarga do sistema de saúde do país. É comum que, em Israel, ortodoxos não trabalhem, só estudem os livros sagrados do judaísmo. “O povo paga impostos, que servem para pagar a saúde pública em Israel, eles não pagam impostos e, na hora que ficam doentes, eles frequentam os mesmos hospitais e clínicas que os outros. Todo mundo está fazendo o possível para impedir que o vírus se espalhe e até uma semana eles continuaram fazendo tudo que sempre fizeram”, afirma.

Em Israel também há o temor de que não haja leitos suficientes para todos os casos graves da doença. Até agora, 31 pessoas morreram no país.

O ministro da Saúde israelense, Yaakov Litzman, é ortodoxo e é um dos infectados pela doença. Ele está trabalhando no sistema de home office e, pela primeira vez, teve internet e computador instalados na casa onde vive. Na mídia israelense, especula-se que o próprio ministro tenha descumprido as medidas impostas e tenha ido a sinagoga durante a quarentena. O gabinete nega.