Por que em Paraisópolis? Massacre, além de racista, é também baseado em posição geográfica

Por que Paraisópolis? São centenas de bailes funk no Brasil, muitos deles na mesma São Paulo, espalhados por todas as quebradas paulistanas. Mas foi no fluxo da maior favela paulistana, divisa com o milionário bairro do Morumbi, que nove jovens perderam suas vidas.

Entre crianças e adolescentes, nove vidas foram tomadas e nove sonhos foram interrompidos em Paraisópolis na madrugada do dia 1º de dezembro de 2019, um domingo. O ponto final de uma história que começou um mês antes, com ameaças. Mas por que lá? Por que sempre lá? Qual a diferença de Paraisópolis para as outras quebradas de São Paulo.

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Essas são perguntas que nem sempre as autoridades conseguem responder. Mas que muita gente que está lá dentro e vive essas histórias há anos, sabe.

“Paraisópolis tem de estar sempre a frente”. Foi assim que a Rúbia Mara, fundadora da Evidência Paralella, definiu. Ela foi uma das três mulheres negras que o Yahoo Notícias parou para ouvir e discutir sobre o massacre em Paraisópolis. 

Ao lado dela estava Jéssica Ferreira, da Coalizão Negra Por Direitos. Porque discutir o massacre é necessariamente discutir racismo e o extermínio da população negra no Brasil. É entender que as mortes em Paraisópolis são muito mais do que apenas mortes. Não fosse o bastante todo o sadismo visto em alguns vídeos e também em postagens nas redes sociais, há todo um contexto histórico, social e geográfico que precisa ser discutido.

E finalmente, de dentro da maior favela paulistana, ouvimos também Renata Alves, CEO da Quebrada Produções, moradora da comunidade e integrante da Associação de Mulheres de Paraisópolis. E é nessa mistura de opiniões que entendemos o quanto o massacre tem um quê geográfico, além da já citada pitada de racismo.

Foi ali porque o rico está lá perto. Foi ali porque em Paraisópolis as coisas são diferentes. E nesta troca de ideias promovida pelo Yahoo Notícias você vai entender o porquê.