Por que estão falando que Thor: Amor e Trovão é, na verdade, "Thor: Ragnarok 2"?

Laísa Trojaike
·3 minuto de leitura

O primeiro Thor apresentou o personagem e Chris Hemsworth, que interpreta o herói, não teve seu potencial cômico explorado no primeiro filme, que ainda faz parte de uma época de maior experimentação do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês), hoje mais consciente do seu caminho. Thor: O Mundo Sombrio não foi muito bem recebido e, quando o terceiro filme chegou, várias críticas apontavam a mudança drástica que esse braço da franquia havia sofrido.

A chegada de Taika Waititi, diretor de Thor: Ragnarok, trouxe mais cor e humor para a franquia, mesmo mostrando um Thor mais cansado e deprimido. Ainda que grande parte dos fãs não tenha gostado disso, Ragnarok teve a melhor recepção da crítica especializada: enquanto os dois primeiros filmes Thor atingiram notas consideravelmente baixas em sites como o Metacritic, o terceiro conseguiu a média de 74 pontos. E, no centro disso, um Hemsworth muito mais confortável ao transitar entre o drama e a comédia.

Taika Waititi no set de Thor: Ragnarok (Imagem: Reprodução/Marvel)
Taika Waititi no set de Thor: Ragnarok (Imagem: Reprodução/Marvel)

Thor: O Mundo Sombrio é considerado até hoje um dos piores títulos do MCU e é inegável que Thor: Ragnarok deu uma completa guinada na franquia do Thor. Para o quarto filme, teremos novamente a direção de Waititi, o que indica o interesse da Marvel em manter os elementos que fizeram o último longa ter uma recepção muito melhor por parte da crítica.

Em um importante artigo que coloca a Marvel como uma “máquina de blockbusters”, o Harvard Business Review diz que o “segredo [da Marvel] parece ser encontrar o equilíbrio certo entre a criação de filmes inovadores e a manutenção de continuidade suficiente para torná-los todos reconhecidamente parte de uma família coerente.” Mas o que isso tem a ver com Thor 4 ou "Thor: Ragnarok 2"?

Ao olhar para as produções Marvel, é possível notar um controle, que é a unidade do MCU, ou seja, a “manutenção de continuidade” da qual o artigo fala. Por outro lado, Kevin Feige reconhece que produções autorais são também muito atrativas, movimento assumido também pela DC Films após o estrondoso sucesso de Coringa. Os nomes mais conhecidos do MCU atualmente são justamente os nomes que deixaram uma marca própria: James Gunn com Guardiões da Galáxia, Ryan Coogler com Pantera Negra, os irmãos Russo com Capitão América 2: O Soldado Invernal e, claro, Waititi com Ragnarok.

(Imagem: Reprodução/Marvel)Imagem: Reprodução/Marvel
(Imagem: Reprodução/Marvel)Imagem: Reprodução/Marvel

No futuro próximo do MCU, veremos também Os Eternos de Chloé Zhao, um dos nomes mais cotados ao Oscar 2021 pela direção do elogiadíssimo Nomadland, e o Capitã Marvel 2 de Nia DaCosta, que dirigiu o aguardado terror A Lenda de Candyman. O que Kevin Feige está fazendo, no entanto, nada mais é que valorizar nas produções cinematográficas Marvel algo que é bastante comum no cinema e nos quadrinhos: o reconhecimento do autor. Comercialmente, a vantagem é sempre ter um frescor nessa unidade que é o MCU e, consequentemente, evitar que os fãs enjoem desses filmes a longo prazo.

Ao falar sobre a Marvel em outra ocasião, Feige disse que "a chave para o sucesso foi Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko, e as dezenas de escritores e artistas que criaram um mundo incrível ao longo de mais de 40, 50 anos”. Assim como nos quadrinhos, começamos agora a distinguir as abordagens autorais de cada diretor. Da mesma forma que falamos dos Batmen de Frank Miller, de Scott Snyder, de Alan Moore, etc., podemos falar agora dos Thor de Kenneth Branagh, de Alan Taylor e, agora, de Taika Waititi. Há unidade entre eles, mas as diferenças também estão escancaradas.

É nesse sentido que começam a surgir perspectivas como a de Rick Stevenson, do ScreenRant, que defende a ideia de que estamos prestes a ver Thor: Ragnarok 2, o segundo Thor de Waititi; e não exatamente um Thor 4 — o que faz bastante sentido. Ainda que a história toda do MCU tenha uma unidade, os filmes têm se tornado uma verdadeira teia criativa, com cineastas autorais trabalhando com certa liberdade em um universo que conecta essas criatividades sem chocar umas contra as outras.

Fonte: Canaltech

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