Por que Mourão vai representar governo Bolsonaro na posse do presidente do Peru

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Na diplomacia, gestos são importantes. Para quem vem acompanhando a relação do governo Jair Bolsonaro com a América Latina, a decisão de enviar o vice-presidente Hamilton Mourão à posse do presidente eleito do Peru, Pedro Castillo, no dia 28 de julho, significa muita coisa.

No final de 2020, na cerimônia em que Luis Arce, do Movimento ao Socialismo (MAS) assumiu a Presidência da Bolívia, o governo brasileiro foi representado por seu embaixador em La Paz, Octávio Côrtes. Outros países enviaram seus chanceleres e a Argentina, aliada estratégica do novo governo boliviano, foi representada pelo presidente Alberto Fernández. Na época, o Itamaraty, ainda chefiado pelo ex-ministro Ernesto Araújo, considerou mais do que suficiente a presença de Côrtes.

A chegada de Carlos França ao ministério trouxe mudanças. O Brasil, desde o primeiro dia de sua gestão, buscou recompor vínculos. Com a Argentina governada pela aliança entre peronistas e kirchneristas, a palavra de ordem é pacificar. Em meio ao caos aéreo provocado pela decisão da Casa Rosada de limitar a 600 o número de passageiros que podem entrar diariamente ao país pelo aeroporto internacional de Ezeiza (antes da medida entravam 4 mil), e a consequente suspensão de todos os voos entre os dois países no mês de julho, o governo brasileiro evitou atritos. Houve um recente pedido informal para que os voos sejam reativados e alguma abertura autorizada na fronteira, tudo em clima de paz.

A presença de Mourão na posse de Castillo, depois de Bolsonaro ter afirmado que a Presidência do país seria assumida "por um cara do Foro de São Paulo", confirma que algumas gestões do novo chanceler estão sendo bem-sucedidas. A relação com os países latino-americanos é central para França, que já serviu nas embaixadas de La Paz e Assunção, no Paraguai.

Seu desafio mais difícil é a crise dentro do Mercosul, já que nessa arena enfrenta um obstáculo chamado Paulo Guedes. O ministro da Economia defende medidas que sofrem resistência da Argentina. O chanceler Felipe Solá deixou claro que "com o Brasil (nesse ponto) não há mais debate". Aos argentinos, foi informado que, quando o assunto é Mercosul, a posição do Brasil nas negociações é definida por Guedes. E França já disse aos argentinos que não quer encrenca com o colega de gabinete. No mais, o novo ministro das Relações Exteriores está, aos poucos, dando novos contornos ao relacionamento do Brasil com seus vizinhos.

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