Por que não conseguimos chutar o balde e pedir demissão mesmo quando estamos infelizes?

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Chega final de domingo e já bate aquela tristeza e mau humor em pensar em acordar cedo no dia seguinte para ir trabalhar. Nas redes sociais sempre compartilha aqueles memes sobre o quanto não suporta segundas-feiras e conta os segundos, todos os dias, pelo fim do expediente. Passa a semana inteira aguardando a sexta-feira, único dia em que trabalha feliz porque finalmente a semana terminou. A sensação de plenitude dura só até domingo, quando tudo começa outra vez.

O escritor Ricardo Coiro fazia parte deste ciclo que aprisiona milhares de pessoas. Saiu da faculdade de publicidade com o objetivo de ser um profissional “bem-sucedido”. “Desses que vendem até a mãe por prêmios e dinheiro”, conta. Hoje, busca encontrar maneiras de transformar a sua paixão – a escrita – em algo rentável e, ao mesmo tempo, “capaz de influenciar positivamente as pessoas, tirando-as de zonas de conforto e as fazendo enxergar o mundo de maneira mais ampla e leve”.

“Ainda sou um publicitário, é verdade. Para sempre serei publicitário. A diferença é: agora eu vendo um produto no qual realmente acredito porque é feito, basicamente, dos meus sonhos e das tantas sutilezas que me tocam a alma e o coração”, afirma o escritor, que trabalha no seu terceiro livro e conta com mais de 500 textos publicados na internet.

Mas nem todos conseguem sair do ciclo de “horror a segundas-feiras” e mudar o rumo da carreira. Segundo Guilherme Malfi, gerente de Recursos Humanos da consultoria Talenses, algumas pessoas não se sentem seguras para avaliar novas oportunidades e se convencem diariamente que “a vida é assim mesmo”. Isto é, aceitam uma vida profissional infeliz devido ao medo de se arriscar em algo novo.

Para Coiro, mesmo insatisfeitas, as pessoas se sentem no controle da situação. E o ser humano sofre só de pensar na possibilidade de perder isso. No entanto, para mudar de área – e tentar um novo e mais prazeroso caminho profissional – “é preciso compreender que não há como escapar da zona de conforto sem aceitar alguns riscos e enfrentar momentos em que não poderá controlar grande parte das variáveis”, diz.

É só chutar o balde?

De acordo com Malfi, para mudar de carreira, o profissional deve estudar e pesquisar sobre a nova função que deseja desempenhar, entender o mercado de trabalho – desafios, oportunidades, dificuldades, expectativas do setor – além de conversar com pessoas da área e participar de eventos sobre o tema.

“Uma troca de carreira deve ser feita da maneira mais consciente possível. Quanto mais informações a pessoa tiver em mãos, melhor será a decisão sobre a mudança e o momento certo que ela deve acontecer”, enfatiza o gerente de Recursos Humanos.

O pedido de demissão

É importante planejar a conversa que terá com o atual gestor, nunca deixar a reunião por conta do improviso e agir com honestidade. Mas, é preciso tomar cuidado com o “tom”. Segundo o especialista, não é necessário expressar as opiniões pessoais sobre o que pensa de uma pessoa ou outra, por exemplo.

As considerações devem sempre ser embasadas em fatos profissionais, pois não é o momento de descontar as frustrações. Esse é o momento de aprender ainda mais com a situação e demonstrar maturidade, avaliando os principais pontos que o fizeram tomar a decisão da mudança.

A mudança

Planejamento e reserva financeira devem ser prioridades antes de trocar de emprego. Coiro conta que juntou o suficiente para passar dois anos sem ganhar nada – nem um centavo – porque ele sempre faz planos pensando no pior cenário. Assim, mantêm os pés no chão e evita frustrações maiores.

Outro ponto importante apontado pelo escritor é o estabelecimento de metas, já que elas facilitam a mensuração da evolução na nova carreira. Além disso, nunca se deve descartar a possibilidade de ter de recalcular a rota.

“Priorize a qualidade de vida e a satisfação, não há retorno mais valioso. E tenha sempre um plano B na manga, pois as coisas muitas vezes não saem como esperamos”, aconselha Coiro.

Por Daiane Brito