Por que o Brasil enfrenta aumento de casos de covid-19?

Por conta da covid-19, pessoas usam máscaras em estação de metrô em SP (Foto: Xinhua/Rahel Patrasso via Getty Images)
Por conta da covid-19, pessoas usam máscaras em estação de metrô em SP (Foto: Xinhua/Rahel Patrasso via Getty Images)

É possível que você conheça pelo menos uma pessoa que foi diagnosticada com covid-19 nas últimas semanas. Não por acaso, o Brasil registrou um aumento não só no número de ocorrências da doença, como na taxa de mortes.

No último dia 23, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou um boletim mostrando que cada vez mais estados apontam para o aumento de casos graves de coronavírus, que teve início a partir do final de outubro e se estendendo até início de novembro. Segundo a fundação, essa situação pode ser encontrada, principalmente, entre adultos e idosos.

Em sua coluna no portal UOL, o jornalista Jamil Chade falou sobre a pandemia, e destacou que o país voltou para a lista de locais mais afetados pelo coronavírus no mundo, ocupando a terceira posição, com 535 mortes na semana que terminou em 27 de novembro. Em primeiro lugar estão os Estados Unidos, que registraram 2,6 mil mortes na semana, seguido do Japão, com mil novos óbitos, segundo informações da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Mas por que o Brasil está lidando com mais uma onda de covid-19? Há diversas causas e, a infectologista Lígia Pierrotti, do Alta Diagnósticos, marca pertencente à Dasa, destaca o relaxamento das medidas de isolamento e do uso de máscaras, fatores que contribuem para a circulação do vírus e o surgimento de novas variantes.

É importante lembrar que sempre que há um aumento do número de casos, coincidentemente existe o surgimento e predomínio de uma determinada variante. Isso aconteceu no final do ano passado, com a variante Ômicron, por exemplo.

"Hoje, a elevação do número de casos observado nas últimas semanas coincide com o aumento gradual da circulação da subvariante BQ.1, originária da Ômicron", diz ela.

Sintomas da BQ.1

Segundo Lígia, a subvariante BQ.1 afeta mais as vias aéreas superiores e menos as vias respiratórias baixas. Isso significa que ela causa mais coriza e congestão nasal e menos tosse, por exemplo.

"Mas o quadro clínico pode ser bem variável. Por isso, toda pessoa que apresenta sintoma nas vias aéreas, febre, dor de cabeça e dor no corpo precisa fazer teste diagnóstico para saber se é covid-19."

A infectologista destaca que pacientes imunocomprometidos continuam muito vulneráveis a terem infecção grave por coronavírus, como pneumonia e falta de ar, necessitando de hospitalização.

'O vírus não desaparecerá'

Lígia afirma que é preciso continuar utilizando máscaras, aderindo medidas de isolamento e de biossegurança, como higienização das mãos, além de, claro, se vacinar contra a doença.

"Ainda temos muitas pessoas que não tomaram as doses de reforço. Estudos já comprovaram que ter quatro doses é melhor do que três, ter três doses é melhor do que duas. Pessoas corretamente vacinadas, que receberam todas as doses indicadas para a sua faixa etária, estão melhor protegidas da hospitalização e óbito pela covid-19."

Esquema vacinal

Ainda de acordo com Lígia, ao longo do tempo, os níveis de anticorpos das vacinas aplicadas caem, mas isso não quer dizer que o imunizante não seja essencial.

Devido ao aumento de casos de coronavírus no país, o Ministério da Saúde deve liberar em breve a quinta dose —ou a terceira dose de reforço.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a quinta dose está disponível para pessoas com alto grau de imunossupressão com 18 anos ou mais e que tomaram a segunda dose adicional há pelo menos quatro meses.

"A vacinação contra a Covid-19 ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/UBSs Integradas, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e nas AMAs/UBSs Integradas aos sábados, também das 7h às 19h", informou em nota a SMS (Secretaria Municipal da Saúde).

O que fazer enquanto a 5ª dose não chega?

Assim com Lígia, a infectologista Sumire Sakabe, do Hospital Nove de Julho, afirma que o importante é manter as medidas de precaução, como utilizar máscara e evitar locais com aglomeração, mesmo que esteja com a vacinação em dia.

"A máscara segue sendo importante, especialmente em momentos como agora, quando se observa aumento no número de casos de covid-19. Assim, ao frequentar ambientes com grande circulação de pessoas, ou locais fechados, usar máscara é uma ótima forma de se proteger", diz Sumire.

O que poderia ter sido feito para evitar essa nova onda?

Sumire diz que é importante nos mantermos vigilantes, ou seja, seguir com as medidas de controle assim que os casos começam a aumentar.

Apesar disso, há algo que poderia ter sido feito e segue falhando: pessoas que não receberam todas as doses indicadas, e ignoram os sintomas, não testam e não usam máscara.

"No fim da fila sempre pode haver alguém mais frágil, mais doente, mais imunodeprimido, que pode ter covid-19 grave e morrer", lembrou.