Por que o lançamento de "365 Dias" 2 e 3 é uma ameaça ao bom senso

·3 minuto de leitura
Massimo Torricelli (Michele Morrone) em cena fetichista de 365 Dias (reprodução/Netflix)
Massimo Torricelli (Michele Morrone) em cena fetichista de 365 Dias (reprodução/Netflix)

Resumo da notícia:

  • "365 Dias", filme erótico da Netflix que virou hit durante a pandemia, irá ganhar mais duas sequências, informa o site Deadline

  • Para quem se horrorizou com a trama do longa que romantiza o abuso, o lançamento soa como uma ameaça ao bom senso

  • O filme, inspirado nos livros da polonesa Blanka Lipinska, ganhou o prêmio de Pior Roteiro no Framboesa de Ouro

"365 Dias", o hit erótico da Netflix em tempos de quarentena, irá ganhar duas sequências. A confirmação vem do site Deadline, que informa que o serviço de streaming já está preparando outros dois filmes ao mesmo tempo. Para quem se horrorizou com a trama que romantiza o abuso do primeiro longa, o lançamento soa como uma ameaça. 

Refrescando a memória: inspirado nos livros da autora polonesa Blanka Lipinska, o filme conta a bizarra história de Massimo Torricelli (Michele Morrone), um jovem mafioso que se apaixona por uma turista que passa férias na Itália. Obcecado pela desconhecida, ele decide sequestrá-la com o objetivo de fazer com que ela se apaixone num período de 365 dias.

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Os problemas estão postos no enredo e são gritantes. O filme é basicamente uma ode à Síndrome de Estocolmo - estado psicológico em que a vítima, submetida a um tempo prolongado de intimidação, cria vínculo sentimental com o seu agressor. É isso que acontece na história: presa em cativeiro, Laura Biel (Anna Maria Sieklucka) se apaixona pelo mafioso.

Michele Morrone e Anna-Maria Sieklucka estão confirmados nos novos filmes. De acordo com o Deadline, agora o personagem de Michele sofre com problemas familiares, enquanto ela se envolve com um novo amor - provavelmente interpretado pelo modelo e ator Simone Susinna, a grande novidade do elenco. Assim como no primeiro filme, Blanka Lipinska ajudará no roteiro das sequências.

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Romantização do abuso

Laura Biel (Anna Maria Sieklucka) e Massimo Torricelli (Michele Morrone) em cena de 365 Dias (reprodução)
Laura Biel (Anna Maria Sieklucka) e Massimo Torricelli (Michele Morrone) em cena de 365 Dias (reprodução)

O filme provocou a reação de vítimas de abuso sexual. Após revelar que foi sequestrada e estuprada, a cantora britânica Duffy escreveu uma carta aberta à Netflix, pedindo para que a obra fosse retirada do catálogo do serviço de streaming. "'365 dni' glamoriza a realidade brutal do tráfico sexual, do sequestro e do estupro. Não deveria ser a ideia de entretenimento para ninguém, nem ser descrito como tal ou comercializado desta maneira", disse ela.

"Enquanto escrevo essas palavras, cerca de 25 milhões de pessoas são vítimas de tráfico [sexual] em todo o mundo. Por favor, tire um momento para pensar neste número, equivalente a quase metade da população da Inglaterra", completou a artista. 

Questionado sobre as críticas recebidas pelo filme, o astro Michele Morrone admitiu que o comportamento do seu personagem não é ideal, mas pediu ao público para que o longa fosse usado para discutir o abuso na sociedade. "Acho que é bom que o filme esteja fazendo as pessoas falarem sobre esses assuntos, para que possamos criar mais consciência sobre eles em nossa sociedade", disse ele.

Nem o sexo salva

365 Dias: filme erótico exibido na Netflix é ruim e romantiza abuso (reprodução)
365 Dias: filme erótico exibido na Netflix é ruim e romantiza abuso (reprodução)

O grande problema é que o longa não tem muitas qualidades a não ser o seu apelo erótico - certamente beneficiado pelo lançamento durante a pandemia, com pessoas solteiras colocadas em isolamento social. Extremamente coreografadas, as cenas de sexo não são muito criativas e não ficam muito na frente do que talvez você já tenha visto em alguma madrugada, por engano ou não, no Cine Band Privê. 

Detonado pela crítica especializada e grande parte do público (o filme tem nota 3,3 entre usuários do IMDB), "365 Dias" foi agraciado com o prêmio de Pior Roteiro no Framboesa de Ouro, considerado o Oscar das piores produções do cinema nos Estados Unidos. Ao insistir na obra, a Netflix, no mínimo, ignora três pilares importantes da arte em prol de views: responsabilidade social, qualidade artística e bom senso.

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