Por que os conceitos de Diniz voltaram a não funcionar na prática, desta vez no Vasco

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Um começo animador, apenas uma derrota em sete jogos e uma arrancada que parecia, enfim, ser a chave para levar o Vasco ao G4 da Série B. Uma proposta de jogo que valorizava a qualidade técnica do elenco mais caro do campeonato e promovia um futebol ofensivo, ao gosto do torcedor cruz-maltino. Em questão de semanas, o que parecia um trabalho de redenção para o então criticado Fernando Diniz derreteu de forma dura. A goleada por 4 a 0 para o rival Botafogo, que praticamente encerrou as chances de acesso do time, foi mais um golpe forte na carreira do técnico.

Aos 47 anos, Diniz segue em busca de um título de impacto ou da consagração. Um acesso no Vasco poderia trazer, no mínimo, um alívio em meio às críticas — afinal, era um desafio subir com um time que rendeu tão pouco na mão de uma frustrada sucessão de técnicos. Mas o insucesso volta a colocar na balança a inovação da sua ideia de jogo.

— Tenho uma convicção cada vez maior: rótulos são ruins. Se tem uma proposta de jogo bonito, que favoreça o futebol como um todo, que o torcedor se agrade além do resultado, é uma característica que tenho. Não é porque você tem uma tendência de jogar para a frente, que você vai se defender mal — disse o técnico em sua apresentação.

De fato, nos primeiros jogos com Diniz, a equipe apresentou um dinamismo que suplantou qualquer preocupação defensiva — exceto no crônico problema das bolas aéreas — naquele momento: o Vasco ia em superioridade numérica para o ataque e, quando perdia a bola, tinha a intensidade para recompor a marcação ou parar a jogada com faltas estratégicas. Mas a perda dessa característica nos últimos jogos expôs os pontos fracos da proposta.

Na amarga derrota para o Guarani, o Vasco já havia sofrido um contra-ataque cruel, aproveitando-se da falta de cobertura e da exposição dos defensores, em menor número. No domingo, o Botafogo entrou disposto a fazer o mesmo, mais de uma vez. O primeiro gol, de Marco Antônio, foi a ilustração perfeita do problema: os que tiveram capacidade de chegar mais próximos de impedir o contra-ataque foram dois jovens, o volante Bruno Gomes e o meia MT.

Defensores como Ricardo, Castan e Zeca têm qualidade técnica para enfrentar investidas ofensivas. Mas uma vez que o desgaste (em boa parte, físico) de sucessivas transições adversárias e de uma maratona de jogos começou a pesar na capacidade de recomposição, se esvaiu a individualidade.

Em apenas 11 jogos, Diniz se vê em meio a um ciclo que o atormenta nos últimos anos de carreira. O ataque fica econômico, a defesa mais exposta e os resultados negativos começam a se empilhar. No São Paulo, acabou perdendo o cargo após sete jogos sem vencer. No Santos, foram cinco.

Como a partida contra o Botafogo mostrou, os adversários sabem as falhas do Vasco, que tem mais gols sofridos do que marcados — problema defensivo próximo ao que teve no Santos. O técnico precisou se virar com um elenco montado sob a gestão de Marcelo Cabo e reforçado por Lisca, com o alento da chegada simultânea de Nenê, seu jogador de confiança, cuja qualidade técnica fez a diferença em campo. Mas as intervenções (ou a falta delas) levantam dúvidas.

— Depois que as coisas acontecem, queremos achar um culpado. Tem coisas a corrigir? Tem. Todo mundo errou. Eu cheguei e tenho minha contribuição, errei, junto com todo mundo — ponderou o técnico.

Sem falar sobre futuro, Diniz tem mais quatro jogos à frente do Vasco na Série B. O aproveitamento, que despencou para menos do que nas passagens por Flu e São Paulo, não inspira otimismo.

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