Como o Rodolffo do 'BBB 21', por que os homens têm medo do prazer anal?

Natália Eiras
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Em uma das muitas conversas sobre sexo que acontecem dentro do “Big Brother Brasil”, o cantor sertanejo Rodolffo comentou que não gosta, de jeito nenhum, que mexam com o seu ânus. O participante reproduz uma fala muito comum entre homens, principalmente os heterossexuais, que veem o prazer anal como um tabu.

O jornalista Fernando*, 31, nunca tinha experimentado fio-terra, quando há a penetração de um dedo no ânus durante o ato sexual, até uma ex-namorada estimular a região em um 69 (posição em que as duas pessoas praticam o sexo oral simultaneamente). “Deixei ela cutucar e, de cara, achei gostoso. Não pensava que poderia prazer, acho que tinha o tabu”, fala. “Desde então ele me proporcionou os orgasmos mais intensos”.

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O publicitário Lucas, 31, por sua vez, decidiu experimentar o beijo grego (estimulação oral do ânus) após ouvir amigas mulheres e amigos homossexuais dizendo que a prática era gostosa. “Pensei: ‘se as minas gostavam, por que não seria bom em mim também?’”, afirma. Porém, por mais que soubesse que era algo prazeroso, Lucas ficava com medo de pedir para que lhe fizessem o beijo grego. “Até com a minha namorada eu demorei uns anos para pedir. Meio que tinha medo de ela perder o tesão”, conta. “Na época, eu mesmo era preconceituoso. Achava que ela pudesse me achar ´menos másculo´”.

Fernando tem um dilema semelhante. “O fio-terra é algo que nunca me sinto à vontade de falar na primeira vez que vou fazer sexo com uma pessoa. Tanto que, depois desse namoro, rolaram pouquíssimas vezes”, complementa o jornalista. É que há a ideia, enraizada em homens e mulheres, de que apenas rapazes não-heterossexuais podem ter prazer anal. 

Quando rolou e eu curti, foi uma questão para mim por um tempo. Fiquei me perguntando se eu não era bissexual e estava me reprimindo. No fundo, tem esse medo de ser ‘menos homem’ e, num plano mais imediato, de ser zoado pela minha parceira

Na realidade, o prazer anal do homem não tem nada a ver com orientação sexual ou fetiche, mas com a fisiologia do corpo masculino. Na penetração pelo ânus, é possível estimular a próstata, que fica por volta de 10 centímetros desde a margem anal. O local é considerado o ponto “G” do homem, visto que o estímulo dessa região pode, em alguns casos, levar a orgasmos mais intensos e prolongados do que aqueles causados pela estimulação peniana.

Porém, de acordo com a consultora de sexologia e massagista corporal Vanessa Inhesta, essa possibilidade de se obter prazer é pouco explorada por um preconceito “quase bíblico”. “Eles acham que vai contra a masculinidade, que, mexendo com o ânus, vão ‘se tornar’ gays”, fala a especialista. Vanessa diz, ainda, que o ânus é apenas mais uma zona erógena do corpo masculino. “Assim como o estímulo do mamilo também pode dar prazer.”

Para quem quiser explorar uma nova forma de se obter prazer, a consultora indica começar pelo estímulo durante o sexo oral. “A parceira pode, durante o ato, explorar a região do períneo (entre o pênis e o ânus) até chegar ao ponto de fazer a estimulação anal”, diz. 

Caso tenha algum receio relacionado à higiene, a brincadeira pode ser feita durante o banho. "Realizar esse toque é interessante para ambos porque vai se construindo uma relação de confiança.” No caso do beijo grego, uma forma de quebrar as barreiras do nojo é usar uma camisinha com sabor. “Coloque-a na língua e faça o oral no ânus”. explica.