Privatizar refinarias nem sempre reduz preço dos combustíveis; entenda

Refinaria Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), localizada em Cubatão - SP (REUTERS/Paulo Whitaker)
Refinaria Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), localizada em Cubatão - SP (REUTERS/Paulo Whitaker)
  • Privatizada, refinaria de Mataripe vende combustível mais caro que no resto do país;

  • Refinarias naturalmente contam com suas próprias áreas de abrangência, impedindo competição;

  • Informação foi compartilhada pelo perfil do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo no Twitter.

Com a crise no preço dos combustíveis, muitos membros da ala ideológica do governo vem promovendo a privatização das refinarias de petróleo do Brasil como uma forma de abaixar os preços da gasolina e do diesel.

Só que, segundo o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), o oposto é mais provável de acontecer, criando empresas monopolistas que poderão aumentar o preço indiscriminadamente.

Em sua conta do Twitter, o Sindipetro-ES detalhou como funciona a malha de refinarias brasileiras. Cada uma tem uma área específica de atuação, visto que o custo de transportar os derivados de petróleo para outras localidades acaba superando o custo de se montar uma nova refinaria.

Isto quer dizer que mesmo privatizando as refinarias, uma estaria impossibilitada de concorrer com a outra pela própria natureza do setor. Para ilustrar o ponto, o perfil do sindicato na rede social publicou um mapa com a localização de cada refinaria e suas áreas de abrangência. Na imagem, cada ponto vermelho representa uma refinaria já privatizada, ou em vias de ser privatizada, enquanto as áreas em azul mostram a abrangência de cada uma.

Foi o que aconteceu com a refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, que depois de privatizada começou a vender combustíveis cerca de 25% mais caros que no restante do país, desbancando até mesmo o Acre, que não conta com refinaria própria, tendo de receber derivados de petróleo da Refinaria Isaac Sabbá (Reman), em Manaus, ou da ainda mais distante Refinaria de Paulínia (Replan), em Paulínia (SP).

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