Por que procrastinar faz mal para a saúde

Até certo ponto, o ato de procrastinar – adiar tarefas para serem realizadas em outro momento – é normal e inofensivo, parte do cotidiano de grande parte da população. No entanto, quando exagerado, sabe-se que pode trazer consequências como pior desempenho em atividades importantes e o aumento no estresse e na ansiedade pelas pendências não concluídas. Mas quais são todos os impactos na saúde de uma rotina marcada pela procrastinação?

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Um novo estudo que acompanhou 2,6 mil estudantes de oito universidades na Suécia buscou responder essa pergunta. Publicado na revista científica JAMA Network Open, o trabalho, conduzido por pesquisadores de diferentes centros do país, monitorou os universitários por meio de questionários realizados no intervalo de nove meses entre eles.

Os participantes tiveram de classificar a própria taxa de procrastinação por meio de uma escala que atribui uma nota entre 5 e 25 pontos. Além disso, respondiam perguntas sobre uma ampla variedade de aspectos de sua saúde. No início do estudo, a média do índice entre os voluntários era de 12,9 pontos.

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Após nove meses, os dados mostraram que um aumento de 1 ponto nessa escala foi associado, ainda que de forma moderada, a uma maior incidência de sintomas de depressão, ansiedade e estresse; de relatos de dor incapacitante nas extremidades superiores (pescoço e/ou parte superior das costas, parte inferior das costas, membros superiores e membros inferiores); de má qualidade do sono; de inatividade física; de solidão e de dificuldades econômicas.

“É possível, no entanto, que essas estimativas sejam mais fortes para um acompanhamento mais longo, porque as potenciais associações negativas de procrastinação com resultados de saúde podem se acumular ao longo do tempo”, escreveram os pesquisadores.

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Em artigo publicado no site The Conversation, em que comentam os resultados do estudo, os autores apontam um diferencial do novo trabalho. Eles explicam que a relação entre procrastinação e desfechos negativos de saúde não é necessariamente nova, mas esse é um dos primeiros a mostrar que o adiamento das tarefas ocorreu antes dos problemas de saúde, e não como uma consequência.

“Ao fazer com que os alunos respondessem a questionários em vários momentos, pudemos ter certeza de que altos níveis de procrastinação estavam presentes antes de medirmos sua saúde”, afirmam.

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Para reduzir o impacto, os pesquisadores destacam que há maneiras de reduzir a procrastinação. A terapia cognitiva-comportamental, por exemplo, já se mostrou eficaz em estudos clínicos. “O tratamento ajuda a pessoa a superar a procrastinação dividindo metas de longo prazo em metas de curto prazo, gerenciando distrações (como desligar telefones celulares) e mantendo o foco em uma tarefa, apesar de experimentar emoções negativas”, escrevem os cientistas.

“Isso requer algum esforço, por isso não é algo que uma pessoa possa fazer enquanto tenta cumprir um prazo específico. Mas mesmo pequenas mudanças podem ter um grande efeito. Você mesmo pode tentar. Por que não começar hoje mesmo deixando seu celular em outro cômodo quando precisar se concentrar em uma tarefa?”, complementam.