Por que a segunda-feira tem o efeito "começar de novo"?

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Sam JR/Flickr

É sempre difícil colocar resoluções em prática depois que nos deixamos levar pelo fluxo torrencial do tempo e dos fatos: começar uma dieta, retomar aquele curso de italiano on-line, voltar para a academia, fazer um feng-shui em casa. Enfim, colocar em marcha aquelas promessas feitas em algum momento de nossas vidas. Parece que, a certa altura, aos nos flagrarmos cada vez mais distantes daquilo que já desejamos, ligamos o “dane-se” e protelamos de vez a decisão de realizar esses planos, de olho num futuro que talvez nunca chegue. É justamente nessas horas que precisamos “zerar o relógio” de nossas vidas e escolher uma nova data para começar de novo, de maneira que o nosso cérebro entenda essa nova chance. Existem, no entanto, épocas certas para fazer isso, quando estamos mais propensos a ignorar o que deu errado antes. É o que cientistas chamam “efeito do novo começo” (fresh start effect, em inglês).

Pode parecer redundante, mas o ideal é sempre começar… pelo começo. Sabe aquela conversa de deixar pra iniciar um regime na próxima segunda-feira? Pode parecer papo de procrastinador, mas faz todo o sentido. Mudar hábitos no começo da semana é a essência do “novo começo”. Pode ser no começo da semana, do mês ou do ano (as resoluções de ano novo, quem nunca tentou?), não importa: o efeito psicológico de estabelecer uma mudança no início do calendário é uma maneira de nos reprogramarmos psicologicamente para esquecer fracassos anteriores e acreditar que desta vez vai dar certo.

Um experimento realizado por pesquisadores da Univerdade da Pensilvânia em 2015 demonstrou que marcos temporais funcionam como motivadores para que as pessoas alcancem seus objetivos. No teste, participantes eram solicitados a descrever uma meta de vida. Um dos grupos tinha então de imaginar que estavam se mudando para um novo apartamento depois de nove anos. Ao passo que o outro grupo também tinha de imaginar que estava se mudando para um novo apartamento, com a diferença, porém, de que isso estava ocorrendo após várias mudanças de apartamento em anos anteriores. Em seguida, os dois grupos eram instados a demonstrar o quão motivados sentiam-se em relação a seus objetivos diante desses cenários. E não deu outra: aqueles que imaginavam estarem mudando-se pela primeira vez mostraram-se mais distanciados de seus “eus” do passado, bem como de suas falhas, e mais motivados com o porvir.

A ênfase em marcadores de tempo — como o início de um novo período ou fase — foi responsável por um incremento na perseverança dos voluntários, o que se explicaria pela dissociação induzida por esses marcos entre a pessoa e o seu “eu falho” do passado, responsável por não seguir adiante em seus projetos. À maneira de um ritual, essas datas agem em nosso subconsciente como se expurgassem a “fraqueza” de nossa vontade de outrora, conferindo-nos novas forças para começar como se fosse a primeira vez. E nem precisa ser segunda-feira: pode ser seu aniversário, o início de um novo semestre, o primeiro dia de trabalho. Vale tudo para evitarmos recaídas em círculos viciosos e comportamentos impulsivos. Quanto maior o “frescor” desse (re)começo, maior a motivação.