Por que Vitor Hugo continua na liderança do governo na Câmara

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Para construir base de apoio na Câmara e acomodar o centrão, Bolsonaro planeja trocar o líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Para construir base de apoio na Câmara e acomodar o centrão, Bolsonaro planeja trocar o líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Deputado de primeiro mandato, Major Vitor Hugo (PSL-GO) assumiu a liderança do governo na Câmara em 2019 com a missão de consolidar a base aliada para aprovar a Reforma da Previdência.

Neste período, Vitor Hugo foi desmoralizado diversas vezes, foi recentemente engolido pelo centrão, e o governo já articula nos bastidores sua saída.

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Indicado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, o líder do governo é responsabilizado por todas as derrotas do governo no Congresso.

Quando ainda era aliada de Bolsonaro, Joice Hasselmann (PSL-SP) chegou a dizer ao então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni: “O que posso fazer, pegar o Vitor Hugo pelo braço?”, ao se referir à derrota do governo na votação da medida provisória da reforma administrativa, no ano passado.

DERROTAS

Neste ano, na votação do auxílio emergencial, o líder do governo na Câmara articulou com o Planalto o valor final de R$ 600 para o auxílio emergencial, para evitar que a conquista fosse contabilizada como da oposição, depois que o Executivo não apresentou projeto. O Congresso, inicialmente, havia decidido pelo valor de R$ 500.

A proposta inicial anunciada pelo Ministério da Economia previa o benefício de R$ 200 mensais, por três meses, apenas para inscritos no Cadastro Único do governo federal e excluía os beneficiários do Bolsa Família.

A “luz amarela” acendeu-se no Palácio do Planalto depois que os deputados impuseram ao governo uma derrota na votação do plano de ajuda de R$ 90 bilhões aos estados e municípios. Na ocasião, a posição governista foi preterida por 431 votos a 70.

A votação foi polêmica por conta do destaque sugeria a flexibilização do congelamento de salários. Em fala no plenário, Vitor Hugo orientou que deputados votassem a favor dessa emenda no projeto de socorro a estados e municípios. A iniciativa foi classificada, nos bastidores, como uma “facada” no ministro da Economia, Paulo Guedes.

O líder do governo na Câmara disse que seguiu determinações de Bolsonaro na votação, que aprovou por 298 a 25 o destaque que excluía profissionais de saúde e de segurança do congelamento de salários.

“Não seria razoável que nos contrapuséssemos a essa medida, sabendo que prejudicaríamos, na ponta da linha, profissionais tão dedicados, como os de saúde e de segurança”. “Feita essa avaliação, liguei para o presidente e me certifiquei de que essa era a melhor solução. O presidente falou para eu fazer dessa maneira”.

“Foi uma determinação do presidente da República, cumprida pelo líder do governo na Câmara, uma vez que sou líder do governo e não o líder de qualquer ministério”, completou.

LUZ VERMELHA

A luz vermelha acendeu-se com a votação do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), na Câmara.

Inicialmente o governo foi contrário ao texto discutido durante três anos pelos deputados. De última hora, o Ministério da Economia propôs destinar parte dos recursos do Fundeb ao Renda Brasil. Com a promessa de apoio do Centrão, tentou até adiar a votação.

No entanto, a articulação política do governo foi por água abaixo. O resultado foi 499 votos a favor da PEC do Fundeb e apenas sete votos contrários, dos deputados bolsonaristas Bia Kicis (PSL-DF), Chris Tonietto (PSL-RJ), Filipe Barros (PSL-PR), Junio Amaral (PSL-MG), Luiz Philippe (PSL-RJ), Marcio Labre (PSL-RJ) e Paulo Martins (PSC-PR).

Apesar da liderança do governo na Câmara ter votado a favor, a aprovação marcou uma derrota para o governo, que não conseguiu alterar o texto.

CARTÃO VERMELHO

Bolsonaro decidiu mexer peças no Congresso visando à formação de uma base de apoio mais “coesa” e menos “radical”.

Para acomodar o centrão, ele tirou da função de vice-líder parlamentares da ala ideológica, como os deputados Bia Kicis (PSL-DF), Daniel Silveira (PSL-RJ) e Otoni de Paula (PSC-RJ).

E decidiu também substituir o líder do governo na Câmara. O ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, teria alertado para a importância de ter um líder mais experiente no Congresso para lidar com o Centrão.

Mas Bolsonaro gosta do Major Vitor Hugo e busca uma saída honrosa para o aliado.

O presidente chegou a cogitar o nome dele para assumir o Ministério da Educação, mas houve muita rejeição, por ele não ser nem da área de Educação, nem alinhado com a ala ideológica.

Segundo um interlocutor do Planalto, o governo estuda negociar a indicação de Vitor Hugo à presidência de uma das comissões da Câmara, assim que voltassem a funcionar.

Entretanto, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, resiste a autorizar a retomada dos trabalhos nas comissões, em virtude da pandemia. Com isso, Vitor Hugo continua no cargo.

SUBSTITUIÇÃO

Deputados do centrão admitem que há negociações para a troca do líder do governo na Câmara. O nome mais provável para assumir é o do deputado Ricardo Barros (PP-PR), que foi ministro da Saúde no governo Michel Temer.

Ele já foi indicado como vice-líder do governo no Congresso e teria o apoio de Luiz Eduardo Ramos, que o considera “muito experiente”, segundo teria dito o próprio deputado.

A atitude de Maia, de adiar a volta aos trabalhos das comissões, é interpretada na Câmara como uma manobra. Ele considera o atual líder do governo inepto, o que seria uma vantagem no cabo de guerra com o Palácio do Planalto.

Meses após assumir o posto, Maia anunciou publicamente que não iria mais reconhecê-lo como interlocutor do Palácio do Planalto. Os dois já foram protagonistas de diversas discussões em reuniões na Câmara.

Nos últimos dias, porém, Vitor Hugo esteve duas vezes na casa de Maia.

Barros, por outro lado, é considerado um “avião” na articulação política, o que enfraqueceria Maia e, se de acordo com os planos do Centrão, favoreceria Bolsonaro.

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