Por repressão, União Europeia inclui ditador da Belarus em lista de sanções

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - A União Europeia incluiu o ditador da Belarus, Aleksandr Lukachenko, seu filho e conselheiro de Segurança Nacional, Viktor, e outros 13 funcionários da ditadura bielorrussa na lista de pessoas sancionadas por causa da repressão violenta a manifestações pacíficas, à oposição e a jornalistas. A punição aconteceu um dia depois de a ditadura ter revistado o apartamento da desenhista técnica aposentada Nina Bahinskaia, 73, símbolo dos manifestantes que há 90 dias protestam pela renúncia de Lukachenko. Desde 9 de agosto, quando o regime anunciou que o ditador havia sido reeleito em pleito considerado fraudado, já houve mais de 20 mil detenções e ao menos 500 casos documentados de tortura. A entidade de direitos humanos Viazna registra 121 presos políticos nesta sexta (6), e já houve 461 detenções de repórteres que cobriam protestos contra a ditadura --11 continuam presos, de acordo com a Associação de Jornalistas da Belarus. O ministério do Interior afirmou que a revista no apartamento de Nina foi feita para investigar atividades da neta da ativista, Yana. Ninguém foi detido, mas a informação de que havia policiais no apartamento da chamada "bisavó das manifestações" gerou novos protestos nas ruas e nas redes sociais. Lukachenko havia sido poupado nas primeiras sanções europeias, anunciadas em 1º de outubro, porque ministros europeus acreditavam que isso facilitaria negociações. Com os novos nomes, publicados nesta sexta no diário oficial da UE, as medidas restritivas alcançam 59 pessoas. Entre as sanções está a proibição de viagens, o congelamento de bens e o impedimento de que cidadãos ou empresas europeias destinem recursos aos nomes listados. A União Europeia não reconhece Lukachenko como presidente da Belarus e exige "a libertação imediata e incondicional de todos os detidos, incluindo prisioneiros políticos". Na semana passada, a principal candidata de oposição ao ditador na eleição presidencial, Svetlana Tikhanovskaia, havia pedido em entrevista ao jornal Financial Times que os países europeus apressassem medidas para pressionar Lukachenko: "A ajuda é necessária agora. Se os países europeus e os países que apoiam nosso movimento pudessem agir mais rapidamente em suas decisões, isso seria maravilhoso". Embora as marchas contra a ditadura continuem acontecendo no país, o número de participantes diminuiu muito e elas se restringiram a poucas cidades grandes. As estimativas são de que no último domingo cerca de 50 mil pessoas tenham ido às ruas, cerca de um quarto da participação nas semanas anteriores. Para analistas, a desmobilização pode ser efeito também do fracasso da greve geral anunciada em ultimato por Tikhanovskaia. Ela havia prometido parar a economia em 26 de outubro se Lukachenko não deixasse o cargo e libertasse os presos políticos, o que não ocorreu. Nenhuma das grandes fábricas conseguiu bloquear totalmente a produção. Mesmo com menos pessoas, as marchas de domingo resistiram às tentativas da polícia de impedir as passeatas. Como em outras semanas, as tropas de choque usaram granadas de dissuasão e balas de borracha. Mais de 300 pessoas foram detidas, a maioria delas em Minsk. O regime também adotou repressões mais duras contra os círculos mais rebeldes, em particular os estudantes universitários. Cerca de 100 já foram expulsos de suas escolas. Trabalhadores que apoiaram as greves abertamente foram intimidados ou demitidos. O governo também fechou para estrangeiros as fronteiras com Letônia, Lituânia, Polônia e Ucrânia. Oficialmente, o motivo é a pandemia de Covid-19, mas o ditador também tem dito que países da Otan (aliança militar entre europeus e norte-americanos) estão por trás dos protestos contra sua eleição e querem desestabilizar a Belarus.