Por resistência dos municípios, pesquisa nacional de Covid-19 não atingirá total de testes na primeira fase

Rafael Oliveira

RIO - As dificuldades impostas por diversas prefeituras atingiram em cheio a pesquisa EPICOVID-19, que busca estimar o tamanho do contágio da doença no Brasil. Além de estender o tempo de duração do trabalho de campo, o levantamento não conseguirá fazer a quantidade de testes prevista inicialmente para a primeira de suas três fases. Ao invés dos 33.250 planejados, cerca de 25 mil pessoas serão testadas.

Com esta redução, o total de 99.750 testes estimado não deve ser alcançado. A não ser que haja uma redistribuição dos testes não feitos nas etapas seguintes. Nenhuma readequação futura, no entanto, ainda foi anunciada.

As limitações também atingiram a duração do trabalho de campo. Iniciado na última quinta (dia 14), ele iria até o sábado. Mas os atrasos gerados pelos contratempos levaram a coordenação a adiar a conclusão para o domingo. Em seguida, ela foi postergada para terça. Por fim, foi definido que o período de coleta vai até esta quinta. Ou seja: terão sido oito dias de pesquisa.

Quando os entrevistadores foram as ruas, nesta quarta, apenas em dois estados a pesquisa já havia sido concluída: Amazonas e Sergipe. No entanto, no Amapá, no Tocantins e no Rio Grande do sul os índices já estavam próximos de 100%.

Os estados em que a situação é mais crítica são Pernambuco, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e a Paraíba. Nas três mais populosos do país, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais apenas no último os pesquisadores conseguiram ultrapassar a marca de 50% de testes realizados.