Por trás dos números: Maguila do futevôlei tinha o coração maior que os músculos

Gabriela Oliva
O professor de futevôlei Maguila, vítima da Covid-19

O físico avantajado lhe rendeu apelido de boxeador, mas o sorriso fácil deixava claro que o coração de João Lourenço dos Santos, de 70 anos, era muito maior que seu porte físico. Professor de futevôlei, Maguila — como era conhecido, por se parecer com o peso pesado dos ringues —, morreu há duas semanas, vítima da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Deixa a esposa Marli Coelho.

De porte atlético, o morador de Copacabana adorava distribuir abraços e sorrisos. Sua amiga de três décadas, Luzia Lacerda, de 58 anos, lembra com carinho:

— É irônico o Maguila ter partido dessa forma, pois ele foi a pessoa mais alegre que já conheci — conta Luiza — Era amigo de todos, adorava frequentar festas, pular Carnaval e ver o sol amanhecer na praia de Copacabana, sempre com a bola de vôlei na mão. Ali, ficava até 11h praticando o esporte.

Maguila era afetuoso, gostava de Jorge Ben Jor e Caetano Veloso. Aproveitava feijoada tradicional como ninguém, com cerveja gelada e pagode. Sua felicidade refletia não só no largo sorriso, mas também na sua personalidade. Adorava roupas chamativas. Verde-limão e laranja eram as cores preferidas.

— Desde os anos 1980 mantivemos o laço. Nos conhecemos pelo samba, na Escola de Samba Tradição. Era um bom amigo, protetor e carinhoso. Na Praça da Apoteose, vinha suado me abraçar, foi até o seu último dia mostrando afeto e seu lindo sorriso, que marcou a vida de quem o conheceu — lembra Luzia.

Outras histórias

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Amava intensamente. E, demostrava isso, sempre presente na vida de amigos, afilhado, marido e família. Morreu em Barbacena (MG).

Paulo Arthur dos Santos Braga 79 anos

Vendedor aposentado, era avô em tempo integral. Braga, como era conhecido, foi um homem dedicado à família. Morreu no Rio.

Antônio Everton Chaves de Lima 49 anos

Urêa, torcedor apaixonado pelo Fortaleza, gostava de fazer todo mundo rir. Pestativo tinha coração enorme. Morreu em Fortaleza.

Maria de Jesus Ribeiro Frota 84 anos

Mulher forte, criou filhos e netos superando diversos obstáculos com força, raça e sonho, sempre. Morreu em Maracanaú (CE)

Beatriz Maria da Silva Mendonça 89 anos

Mesmo com Alzheimer não deixava de cantar Martinho da Vila. O problema no joelho não a impedia de dançar. Morreu no Rio.

(*Sob supervisão de Renan Damasceno)

Por trás dos números é uma parceria com o projeto Inumeráveis