Por trás dos números: um paizão de coração doce, sempre disposto a ajudar

Carolina Mazzi
Haelton Antônio dos Santos, o Duzão, vítima da Covid-19

Nas mensagens deixadas por amigos, Haelton Antônio dos Santos, o Duzão, é sempre lembrado como um “paizão”. Disposto a ajudar, aconselhar e a transmitir alegria por onde passava, era uma pessoa querida, religiosa, um superpai, que esperava ansioso pelo nascimento do primeiro neto, em novembro. Duzão, aos 51 anos, morreu na quinta-feira, vítima da Covid-19. Estava internado desde 9 de março.

— Nos conhecemos na umbanda e íamos comemorar o nosso 23º aniversário amanhã (16/5). Com ele, vivi uma verdadeira história de amor — lembra a companheira, Cristiane Pereira.

Baiano de Encruzilhada, Duzão chegou à capital paulista antes dos 18 anos e se fixou na comunidade Jardim Colombo, na Zona Oeste, com os irmãos. Fez de tudo um pouco e, mesmo depois de duas décadas de casamento, ainda era capaz de surpreender Cristiane e as três filhas:

— Ele começou a fazer cocada há alguns anos, por exemplo. Acho que era a forma dele de mostrar a sua doçura para o mundo — diz Cristiane.

Amava o que fazia. Há mais de 20 anos, trabalhava no setor de manutenção do Museu Afro Brasil, em São Paulo, que prestou homenagens ao funcionário, tamanha a tristeza.

—Era mesmo um paizão, conversávamos muito, ele sempre me aconselhava — lembra a colega de trabalho Izabel Monteiro. — Uma vez ele, mesmo cansado de um dia de trabalho, foi até a minha casa, que é muito distante da dele, para me ajudar na mudança. Saiu tarde da noite.

Emanoel Araujo, diretor-curador do museu, também se manifestou. Em texto nas redes sociais, afirma que “o coração dói com a perda desse amigo sempre pronto ao chamado. É amargo o gosto de sua partida”.

Outras histórias

Alan Carvalho Martins

41 anos

Pai de família admirável, coração gigante, exemplo de militar. Repetia que “viemos ao mundo para ajudar’’. Nasceu e morreu no Rio.

Rafael Gonçalves Pinheiro

39 anos

De presença forte e contagiante, gostava de gente feliz e reunida. Pensava mais nos outros que em si. Nasceu e morreu em São Paulo.

Luiza Caldas Vieira

73 anos

Uma mulher batalhadora, esposa, mãe e avó exemplar. Esbanjava amor por onde passava. Morreu em Fortaleza (CE).

Amélia Oliveira Martins

50 anos

Mulher cheia de vida, sempre pronta a recomeçar. Linda, inteligente e curiosa. Nasceu em Uberlândia (MG), morreu em São Paulo.

João Alves da Rocha

77 anos

Recebia todos em sua casa com amor e carinho. Todos o conheciam como o ‘‘abençoado’’. Morreu em Pecém (CE).

Por trás dos números é uma parceria com o projeto