Portão do Parque Guinle é restaurado após cinco anos

Natália Boere
·2 minuto de leitura

RIO — Agora, no Parque Guinle, a recepção é em grande estilo: com portões tinindo de novos. Após cinco anos de batalha dos moradores do entorno, esse oásis que conjuga fauna, flora e arquitetura no coração de Laranjeiras teve seu cartão de visitas restaurado, assim como as estátuas de leões alados e de anjos montados em esfinges que o circundam. A estrutura, feita de ferro fundido e com detalhes em bronze, tinha partes enferrujadas e corroídas e chegou a ficar isolada e escorada em gelos-baianos pelo risco de despencar e provocar acidentes. As intervenções, frutos de uma parceria público- privada, começaram em meados de agosto e foram concluídas esta semana.

— Acompanhei várias etapas do processo, e ver o conjunto pronto foi uma emoção indescritível. Como aeromoça, estou acostumada a ver respeito aos monumentos no mundo inteiro. Estava na hora de chegar a nossa vez — afirma Claudia Lustosa, moradora e síndica de um dos prédios do entorno e adotante oficial do local.

O Parque Guinle ocupa a área que compreendia os jardins do palacete do empresário Eduardo Guinle, construído entre 1910 e 1913 e onde hoje é o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador. Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, a arquiteta e urbanista Laura Di Blasi destaca que o local é um patrimônio tombado nos âmbitos federal, estadual e municipal.

— Recuperar o seu portão é reabrir as portas para um conjunto arquitetônico que inclui, além do palacete, os prédios do entorno, projetados por Lucio Costa e pelos Irmãos Roberto, e jardins de Roberto Burle Marx. É uma joia encravada no meio urbano que precisa ser preservada — afirma Laura.

A obra faz parte do projeto Revitaliza Rio, uma conquista do Instituto Carioca Cidade Criativa, da Carioca DNA e da produtora Das Lima, que conseguiram aprovação nas leis federal e municipal de incentivo à cultura e levantaram verba junto à iniciativa privada. Pela lei federal de incentivo à cultura, o grupo foi autorizado a captar cerca de R$ 1 milhão;ç e pela lei do ISS, R$ 900 mil. O montante permitiu também intervenções no Parque da Catacumba, na Lagoa, que teve suas 32 esculturas restauradas, os jardins refeitos e ganhou nova sinalização, além de um parque infantil e uma academia para a terceira idade.

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