Porta-voz da PM diz que munição do Bope acabou em duas horas na operação no Alemão; imagens mostram destruição do confronto

O porta-voz da Polícia Militar, o tenente-coronel Ivan Blaz, afirmou na manhã desta sexta-feira (22) que ficou estarrecido com o poderio bélico dos criminosos do Complexo do Alemão durante a operação desta quinta-feira (21), que resultou na morte de 18 pessoas. Segundo o oficial, a munição utilizada por agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) a polícia de elite da corporação, acabou nas duas primeiras horas de confronto com os suspeitos. O tiroteio durou mais de 13 horas. Em imagens que circulam nas redes sociais, moradores mostram becos da favela com uma grande quantidade de munição espalhadas pelo chão. Além dos mortos alvejados, cápsulas que seriam de fuzil ao lado deles e muita destruição durante o confronto.

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– Está cada vez mais claro que a entrada de armas é a variável que mais impacta na realidade do Rio de Janeiro. Ontem, por volta das 7h30, a munição do Bope já havia sido totalmente consumida dada a intensidade do confronto armado que se deu no Complexo do Alemão. A gente fala muito na Operação do Salgueiro, que durou a noite inteira de confronto. Mas (nela) não foi consumida a quantidade de munição que foi consumida ontem no Alemão. Eu estou falando de uma ordem de grandeza de centenas de fuzis. Não estou contando nem o contingente humano. Só falo de fuzis naquela região. Você vê equipamentos táticos impetrados pelos criminosos, barrigadas medievais sendo colocadas, com espeto, soltas etc. São investimentos feitos naquela região para uma guerra – afirmou o porta-voz ao Bom dia Rio, da TV Globo.

Blaz lembrou ainda que a desempregada Letícia Marinho Salles, de 50 anos, que morreu durante os confrontos, era amiga pessoal de sua mãe e que o cabo da PM Bruno de Paula Costa, de 38, deixa três filhos — dois deles autistas.

— A senhora Letícia Marinho era amiga da minha mãe, aqui no Recreio. Minha mãe ontem ficou muito abalada com a morte de sua amiga. Eu já estava muito triste com a morte do cabo De Paula que deixa dois filhos autistas. Como essa mãe vai tocar a vida sozinha sem o seu marido agora? Eles dois acabam por representar um custo nessa operação. Não há resultado operacional que vá mostrar, que seja comemorado com a morte desses dois inocentes — afirmou o porta-voz, que acrescentou:

– Precisamos entender que operações como essa representam enxugar gelo. Mas é fundamental que tenhamos alguém para enxugar esse gelo, porque se não a sociedade vai morrer afogada.

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Blaz afirmou que os criminosos da maior facção criminosa, que atua no Complexo do Alemão, estaria se expandido e avançando. Segundo o oficial, a quadrilha tem arregimentado jovens pobres e favelados.

– Temos observado um constante avanço dessa quadrilha. Ela que insiste em investir em arma de fogo, em colocar uma juventude pobre favelada com armas na mão para sustentar fogo. Eles não podem fugir do confronto com a polícia, se não a quadrilha vai matá-los. Eles sacrificam essa juventude da favela para poder garantir a proteção de suas vidas e liberdade. São esses criminosos do Complexo do Alemão que investem em assaltos a bancos, a roubos a joalherias, a roubo de cargas, de veículos. Eles investem contra a sociedade e sacrificam sua própria população, naquela região. Eu fico muito estarrecido em ver ainda manifestações de pessoas que dizem que essas operações são inúteis. Elas são necessárias para poder deter um avanço emergencial dessa quadrilha.

Questionado sobre ações constantes e com investimento que levaria o estado a retomar o controle dessas áreas da cidades, Blaz disse que o armamento vindo de fora do país é a “variável que mais impacta” o estado. O oficial ainda destacou que “o governo do estado tem atuado em conjunto com o governo federal e que as ações em conjunto têm sido mais atuantes, mas isso é recente”.

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– Ter essas ações é importante para evitar o avanço do crime.

Blaz afirma que existem comunidades que classificou de "feudos impenetráveis pelo estado" em razão da atuação de traficantes armados:

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– (Ontem) Na rua só tinha criminosos e policiais em confronto. Por isso tivemos ali uma operação que não resultou no ferimento de moradores. Exceto a dona Leticia que estava do lado de fora e que esse caso será apurado. Hoje, precisa entender como realizar essas ações de formas rotineiras. Precisamos ter acesso mais constante a comunidades que se entendem encasteladas, feudos impenetráveis pelo estado para que possamos evitar que elas se reforcem rotineiramente.

De acordo com Ivan Blaz, a situação ainda é tensa na região nesta manhã de sexta-feira.

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